Foto: Fábio Alexandre/O Estado

Sandro Silva, do Dieese: expectativa de nova deflação.

Depois da alta registrada em maio, os preços administrados por contrato e monitorados voltaram a cair e encerram o mês de junho com variação negativa de 1%. O recuo no preço da gasolina (-4,26%) e a redução na tarifa de energia elétrica (-1,51%) foram os principais fatores de recuo. Com o resultado de junho, os preços administrados acumulam no primeiro semestre alta de 0,39% – abaixo do IPCA, índice usado como meta de inflação, que ficou em 1,54% – e, nos 12 meses, variação de 4,92%. Os dados fazem parte da pesquisa elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR), em parceria com o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR).

No primeiro semestre, os preços administrados registraram três meses de alta e três de queda. Para julho, a expectativa é que haja nova deflação, especialmente por conta do preço da gasolina, que vem caindo.

A safra de cana-de-açúcar é o principal fator que vem derrubando o preço da gasolina – uma vez que o álcool anidro responde por 20% de sua composição. Segundo levantamento do Dieese, das 16 capitais pesquisadas, 14 registraram queda no preço em junho – a maior delas em Brasília (-8,06%). Já Curitiba apresentou a quarta maior queda (-4,26%). No acumulado dos 12 meses, porém, Curitiba registra o segundo maior aumento (18,01%), atrás apenas de Fortaleza, onde o preço gasolina aumentou 19,58% em um ano.

Em Curitiba, o litro da gasolina passou de R$ 2,512 em maio (preço médio) para R$ 2,405 no mês passado. De acordo com o economista do Dieese-PR, Sandro Silva, a queda ocorreu por conta da redução da margem de lucro dos revendedores, de quase R$ 0,26 por litro em maio para R$ 0,21 em junho. Apesar disso, comentou o economista, a gasolina está em patamar elevado. Enquanto este ano a média do preço está em R$ 2,44, no ano passado era de R$ 2,24 – ou seja, diferença de 8,69%.

Além da gasolina, o álcool também registrou queda no preço em junho (-11,37%) – o item, porém, não faz parte da cesta de tarifas públicas pesquisada pelo Dieese. Nos três últimos meses, o preço do derivado de cana-de-açúcar recuou 26,77%. As sucessivas quedas, porém, podem ter chegado ao fim. ?Historicamente, em julho o preço do álcool começa a aumentar?, salientou o presidente do Senge-PR, Ulisses Kaniak. Apesar das quedas consecutivas, o preço do álcool continua elevado: no mês passado, o litro custava em média R$ 1,466 em Curitiba, enquanto em junho do ano passado, R$ 1,092 – ou seja, diferença de 34,25%.

Energia elétrica

Outro item que pesou menos no bolso do consumidor curitibano foi a energia elétrica (-1,51%), cuja revisão tarifária entrou em vigor no último dia 24. Em julho, o impacto previsto é de -5,04%. Segundo Sandro Silva, do Dieese-PR, com a revisão, o consumidor que pagava em dia sua conta de luz terá um desconto de 6,47% – o quilowatt-hora passará de R$ 0,41 para R$ 0,39.

Na outra ponta, o curitibano está tendo que gastar mais nas corridas de táxi. Desde o dia 7 de maio, o quilômetro rodado passou de R$ 1,40 para R$ 1,60 – aumento de 14,29% -, e a bandeira inicial aumentou de R$ 3,40 para R$ 3,50 – alta de 2,94%. Em Curitiba, a corrida de táxi não tinha reajuste desde agosto de 2004. ?Houve praticamente a reposição da inflação no período?, destacou Silva, referindo-se ao IPCA acumulado de 10,57%. ?Estranho foi que ninguém divulgou este aumento do táxi em maio?, comentou Sandro Silva.

Para julho, a expectativa é sobre a tarifa de telefone. A Anatel já divulgou a redução de 0,4222% à Brasil Telecom, mas ainda não foram informados os valores nem a data para as novas tarifas entrarem em vigor.