Brasília – O aumento da remessa de lucros de empresas ao exterior, de viagens internacionais e outros itens influenciou no déficit de US$ 717 milhões das transações correntes no mês de julho, de acordo com o Relatório do Setor Externo, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Banco Central. É a primeira vez que isso ocorre desde janeiro do ano passado, quando o saldo de conta corrente, que envolve todas as transações comerciais e financeiras com o exterior, apresentou déficit de US$ 314 milhões.

As remessas de lucros de empresas estrangeiras instaladas no Brasil subiram 64,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Ao todo, foram US$ 3,2 bilhões enviados para fora do país. É quase o mesmo dinheiro investido por estrangeiros no país no mesmo período: US$ 3,6 bilhões.

Ao comentar os números, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, admitiu que o resultado negativo esteve "acima das expectativas oficiais". Apontou como causas o aumento da remessa de lucros e dividendos e da concentração maior de despesas com juros, por força do pagamento de US$ 979 milhões em bônus da República.

Foi o pior resultado em conta corrente desde abril de 2004, quando o déficit chegou a US$ 757 milhões. No mesmo mês do ano passado, o país teve superávit de US$ 3,055 bilhões. O economista do BC acredita, porém, que as contas externas voltarão a apresentar equilíbrio em agosto, e assegurou que "não dá para dizer que haja tendência de gastos continuados".

No acumulado do ano, o saldo de conta corrente soma US$ 3,666 bilhões, com queda de 37% em relação ao mesmo período de 2006. Altamir afirmou que a conta capital e financeira teve ingressos líquidos de US$ 6,957 bilhões no mês passado, com destaque para o ingresso de US$ 3,584 bilhões de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no setor produtivo. Melhor resultado, segundo ele, para todos os meses de julho, desde julho de 2000 quando foram contabilizados 5,153 bilhões, em decorrência de privatizações das empresas estatais. Ele revelou que até hoje o IED soma US$ 1,5 bilhão, e deve fechar agosto com US$ 2 bilhões.