Brasília – Os fabricantes de insumos usados na produção de medicamentos já estão enviando comunicados aos laboratórios informando que vão repassar para os preços o aumento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), informou ontem a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma). Segundo a entidade, entre esses fornecedores estão fabricantes de embalagens.

A Febrafarma está concluindo um estudo técnico detalhado sobre o impacto real para o setor farmacêutico das mudanças introduzidas neste mês na forma de cobrança da Cofins. O efeito da Cofins será ainda maior, a partir de 1.º de maio, quando a Cofins e o PIS passarão a incidir também na importação de bens e serviços. Juntos os dois tributos representarão uma carga de 9,25% sobre os produtos importados. Para a indústria farmacêutica, o problema é mais grave porque 80% dos insumos – sejam para produção de medicamentos genéricos ou de referência – são importados. Em nota divulgada ontem, a Febrafarma afirma que “certamente a indústria será impactada pela nova regra”.

Como antecipou ontem a Agência Estado, o governo está avaliando o risco de a nova Cofins causar alta no preço dos remédios. Técnicos do governo avaliam que o setor pode ser um dos mais afetados pela elevação da alíquota da Cofins e a cobrança sobre os produtos importados. Por ter um sistema de cobrança monofásica, no qual os tributos são recolhidos numa única fase da cadeia produtiva, o setor de medicamentos está entre os que podem sofrer aumento significativo da carga tributária.