No Contorno Leste o movimento já está normalizado.

O tempo bom em Paranaguá e o acordo entre caminhoneiros e operadores portuários permitiu que ontem a BR-277 e o Contorno Leste amanhecessem sem caminhões parados no acostamento, cena que há mais de dez dias não se via. O Porto de Paranaguá está operando ininterruptamente, 24 horas por dia, para agilizar o escoamento da safra. Segundo informações da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), ontem de manhã havia apenas cinco quilômetros de fila de caminhões aguardando para descarregar no pátio de triagem. Ainda de acordo com a Appa, está sendo liberado um caminhão a cada 20 segundos, o que significa 80 veículos por hora. Sem chuva, a previsão do porto é autorizar o descarregamento de mercadorias de mais de mil caminhões por dia.

O primeiro navio carregando soja após a paralisação, o Galene, com destino à Índia e China, deixou Paranaguá ontem de manhã. A saída estava programada para a madrugada, mas como alguns terminais não funcionam à noite, houve um pequeno atraso na chegada da soja. A embarcação levou 62,9 mil toneladas. Ontem de manhã, deveria atracar o navio “Silver Mei”, para receber 59,6 mil toneladas de soja.

De acordo com a Appa, duas empresas ainda não haviam depositado os valores das estadias dos caminhoneiros até ontem de manhã. Caso a situação não fosse resolvida, existia a ameaça de os caminhoneiros bloquearem novamente o pátio. Porém o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam/PR), Diumar Bueno, descartou a possibilidade. “Está tudo resolvido. As diárias estão caucionadas para todo mundo”, declarou. O líder dos caminhoneiros informou que a categoria agora espera uma normatização do governo federal para o pagamento da sobrestadia. “Queremos uma medida para todos os portos, não só para Paranaguá”, explicou.

Inquérito

Na última sexta-feira, o delegado Messias Rosa, do Cope (Centro de Operações Policiais Especiais), concluiu as oitivas de todos os signatários do Manifesto por Paranaguá, que pedia a saída do superintendente da Appa, Eduardo Requião, e deu origem à paralisação no porto. Foram intimados para depor o prefeito de Paranaguá, Mário Roque, os presidentes de doze entidades de empresários e trabalhadores do porto, da Associação Comercial, Industrial e Agrícola e da Câmara Municipal, além de representantes de empresas exportadoras.

O inquérito policial para apurar as responsabilidades pelo locaute foi aberto há uma semana, a pedido do governador Roberto Requião. O inquérito pede o enquadramento dos responsáveis nos artigos 201 (crime contra a organização do trabalho) e 286 (conduta de incitação de crime do Código Civil), além de formação de quadrilha. O governo também solicitou a apuração da participação de Mauro Fontana Marder, Luís Sérgio da Silva e Carlos Roberto Frisoli, membros do Sindicato dos Operadores Portuários (Sindop); Jorge Tacla Filho, da multinacional Bunge; além do prefeito de Paranaguá, Mário Roque, e do deputado estadual, Valdir Leite (PPS). “Já temos elementos para identificar a origem do movimento, mas ainda estamos fazendo diligências internas para levantamento de dados”, relatou o delegado Messias Rosa. O delegado disse que não poderia dar mais informações sobre o andamento do inquérito para não atrapalhar as investigações. Ele informou que o inquérito deve estar concluído até quinta-feira, quando será encaminhado para a Justiça de Paranaguá.