A receita nominal do setor de serviços em São Paulo cresceu 3,3% em fevereiro sobre igual mês de 2014, o terceiro melhor desempenho regional em um mês de forte desaceleração na atividade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O resultado ajudou a minorar os efeitos negativos sobre os serviços”, afirmou o gerente Roberto Saldanha, da Coordenação de Serviços e Comércio do órgão.

Em fevereiro, a receita nominal de serviços em termos nacionais avançou apenas 0,8% na comparação com igual mês do ano passado. O resultado foi o pior de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2012. Ao todo, 10 das 27 unidades da federação tiveram aumento na receita nominal, sem descontar os efeitos da inflação. Em primeiro lugar aparece Tocantins, com alta de 7,9%. Na sequência, a Bahia obteve avanço de 4,5%, impulsionada pelo turismo. São Paulo ficou na terceira colocação, empatado com a Paraíba (3,3%).

“Em São Paulo, houve demanda maior no setor de informática e de telecomunicações, assim como nos serviços empresariais”, detalhou Saldanha. No Rio Grande do Norte, a receita nominal dos serviços ficou estável (0,00%). Já as maiores quedas nominais foram registradas no Mato Grosso (-17,1%), afetado pelo menor transporte de grãos, em Roraima (-8,6%) e no Piauí (-6,8%), segundo o IBGE.

As dificuldades enfrentadas pelo setor de petróleo e gás têm afetado a receita dos serviços no Rio de Janeiro, especialmente no caso de empresas de engenharia, consultoria e de transportes. Em fevereiro, a receita nominal dos serviços no estado fluminense recuou 1,0%, segundo o órgão.

“Isso tem a ver com o setor de petróleo e gás, que diminuiu a demanda por serviços de empresas de engenharia, de consultoria e de transportes. Elas reduziram sua prestação de serviços”, disse Saldanha.

No Rio de Janeiro, a receita nominal dos serviços profissionais, administrativos e complementares (que incluem os segmentos de engenharia e consultoria) recuou 1,9% em fevereiro ante igual mês do ano passado. No caso dos transportes, o valor nominal de vendas caiu 1,8%, afetado principalmente pelos modais rodoviário e dutoviário.

Famílias

Os serviços prestados às famílias registraram queda real na receita em fevereiro na comparação com igual mês do ano passado, segundo Saldanha. Segundo ele, o setor ainda mantém crescimento nominal, mas inferior ao ritmo de alta de preços – o que significa que, descontada a inflação, o setor encolheu no período.

“Podemos entender que os serviços prestados às famílias tiveram queda real em fevereiro”, disse Saldanha. O segmento registrou alta nominal de 6,8% ante fevereiro de 2014. Mas, no período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 7,7%, e a inflação de serviços é ainda maior. “Se a demanda tivesse se mantido, o natural seria a receita crescer pelo menos o equivalente ao aumento de preços”, sintetizou Saldanha.

Segundo o gerente, a inflação elevada é por si só uma das causas do arrefecimento da demanda das famílias, mesmo em um mês marcado por férias e pelo carnaval, que em tese elevam a procura por serviços de alimentação e alojamento. “Os preços estão muito altos, acima da média do IPCA. Isso está levando as famílias a controlarem seus gastos”, explicou.