O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) desconsidera a hipótese de um movimento de alta dos preços dos alimentos. “Não é que acabou a fase da comida barata. A comida está cada vez mais acessível à população”, afirmou hoje o secretário de Produção e Agroenergia do ministério, Manoel Bertone, em entrevista à imprensa.

O secretário de Política Agrícola, Edílson Guimarães, ressaltou que os alimentos apresentam as menores altas dentro do conjunto de itens pesquisados no cálculo da inflação. “Além do mais, tivemos um ganho de produtividade muito grande, que permite esse crescimento menor dos preços agrícolas em relação a outros preços da economia. E isso se transfere para a renda dos consumidores”, disse Guimarães.

Bertone destacou que a taxa de desemprego em recorde de baixa de 5,7% incluiu uma grande massa de novos consumidores no mercado interno, o que representa uma demanda adicional que pode explicar, em parte alguma pressão sobre os preços. “Mas não acredito que a comida esteja pesando exageradamente no bolso das pessoas”, disse.

Segundo Bertone, “o que está acontecendo, no Brasil e no mundo, é que um grande contingente de pessoas saiu da miséria”. Ele argumentou que esse crescimento proporcionará um aumento do volume de investimentos, reequilibrando, dentro de pouco tempo, a relação entre oferta e demanda, em nível global. O secretário de Produção e Agroenergia ressaltou, ainda, que a desvalorização do dólar provocou uma valorização dos preços das commodities (matérias-primas), o que pode ser bom para o Brasil, que tem ampla produção agropecuária.