A queda de 1% registrada em julho no fluxo total de veículos nas estradas pedagiadas do País em relação a junho, segundo apuraram a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e Tendências Consultoria Integrada, foi determinada pelo fraco desempenho na circulação dos pesados na mesma base de comparação. Apesar de positivo em 0,4% em julho, o desempenho dos pesados foi fraco em resposta à baixa atividade da indústria, de acordo com o economista da Tendências Rafael Bacciotti. “O desempenho da indústria continua em tendência de queda. No segundo trimestre, a produção recuou 2,1% em relação ao primeiro período do ano, o que representou a sétima diminuição nessa base”, disse o economista.

Para ele, no curto prazo, o pessimismo dos empresários e o elevado patamar de estoques limitam a reação do setor, ainda que a desvalorização cambial dê algum fôlego às exportações. “Embora os dados de julho contra junho tenham registrado leve alta, o fluxo de pesados acompanha esta lógica quando analisamos os dados de um período de tempo maior, registrando resultados negativos na análise dos dados dos últimos doze meses e na comparação do acumulado do ano (janeiro a julho de 2015, contra janeiro a julho de 2014)”, analisa Bacciotti.

No caso dos veículos leves, de acordo com o economista, dada a correlação com os fundamentos de mercado de trabalho, os efeitos negativos do desaquecimento econômico são sentidos com maior defasagem. “Como o ajuste sobre renda e emprego está em um processo inicial, a tendência de desaceleração no fluxo de leves ainda tende a ganhar força. Queda de rendimentos e piora na obtenção de crédito pessoal, além do declínio da confiança do consumidor, atuam no sentido de conter a demanda”, explica o economista.

Em relação a julho do ano passado, período para o qual a ABCR registrou aumento de 2,3% no fluxo total, com queda de 5,3% no fluxo de veículos pesados e crescimento de 5,1% no movimento de veículos leves, Bacciotti observa que a forte elevação do fluxo de leves, no caso, é explicada pela base de comparação, que em julho do ano passado foi deprimida pela Copa do Mundo, com efeito negativo sobre o fluxo de leves.

“Desta forma, a depender da dinâmica ruim para os principais condicionantes de demanda (emprego, renda, crédito e confiança), a tendência de desaceleração no fluxo de leves deve continuar”, resume Bacciotti.