A queda de 5,6% no emprego industrial em abril deste ano ante igual mês do ano passado e a sequência de sete resultados negativos na série com ajuste sazonal (ante mês anterior) levaram a indústria brasileira a registrar, em abril, o pior mês para o mercado de trabalho em oito anos, observou hoje o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo. Segundo ele, a recuperação lenta e gradual da produção e da confiança dos empresários ainda é insuficiente para uma reação mais forte no emprego do setor.

“O que se observa historicamente é que é preciso um aumento muito consistente na produção e na confiança dos empresários para uma reação mais forte no emprego”, afirmou. Macedo explicou ainda que os setores que vêm puxando a recuperação industrial, na base mensal, como a indústria automotiva, fizeram ajustes muito fortes no emprego e não estão entre os maiores empregadores da indústria. Segundo o economista, não há detalhamento para setores nos dados ante o mês anterior, o que dificulta a avaliação sobre quais segmentos estão derrubando a ocupação nessa base de comparação.

Na comparação com igual mês do ano passado, porém, os principais impactos de queda em abril vieram de vestuário (-9,7%) e meios de transporte (-9,4%, inclui a indústria automobilística).

Folha de pagamento

No que diz respeito à queda observada na folha de pagamento real do setor – recuo de 0,2% ante março e de 1,8% ante abril de 2008 -, Macedo disse que o poder de barganha dos trabalhadores na indústria foi prejudicado por causa do recuo na produção.

Além disso, ele lembra que o setor industrial não tem os rendimentos vinculados diretamente ao salário mínimo, o que também impede um aumento na renda do setor. Macedo observou ainda que a queda no emprego acaba rebatendo nos dados da folha, que equivalem à massa salarial.