O câmbio começou a semana com valorização, com o dólar à vista negociado no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) cotado a R$ 1,9630 (+0,15%). As medidas tomadas pelo Banco Central (BC) no mercado de câmbio, na semana passada, devem ter impacto tanto prático quanto psicológico entre os investidores e a conseqüência inicial é de alta nas cotações do dólar. O tamanho do ajuste necessário vai ser mensurado durante o decorrer do dia, mas a avaliação inicial é de que o momento para o anúncio foi propício. Nos últimos dias, os investidores já vinham fazendo um movimento forte de redução de posição cambial no rastro do cenário internacional, que também deve continuar pesando nas transações domésticas.

No exterior, as atenções são para a trajetória das taxas dos Treasuries (títulos do Tesouro dos Estados Unidos) e seu reflexo nas bolsas. A percepção de que os juros básicos da economia norte-americana não serão cortados este ano espalhou-se na última semana, levou as taxas dos títulos dos EUA negociados no mercado secundário aos maiores níveis em anos e tornou-se a preocupação maior dos investidores internacionais no momento.

Até sexta-feira passada, os analistas brasileiros mostravam-se reticentes em estimar qual o fôlego dessa elevação e o consenso era de que o câmbio no Brasil deve seguir de perto o vaivém externo. Também havia percepção generalizada de que a volatilidade do mercado deve aumentar no curto prazo e dependerá ainda mais dos indicadores da economia dos Estados Unidos.