Em setembro, foram criados
193 mil postos de trabalho.

A taxa de desemprego em setembro, nas seis maiores regiões metropolitanas do País, recuou para 10,9% e foi a menor desde dezembro de 2002, quando ficou em 10,5%. Em agosto, o desemprego foi de 11,40%, superior ao apurado em julho (11,20%), e ao resultado de setembro do ano passado (12,9%). Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número de vagas cresceu 1% em relação a agosto e 3,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram criados 193 mil postos de trabalho. Os resultados, segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, “são bastante favoráveis e mostram que o mercado de trabalho está acompanhando a estrutura de estabilidade da economia”. Ele destacou a criação de empregos com Carteira de Trabalho assinada e a recuperação do rendimento real do trabalhador.

No mês de setembro, o total de pessoas com carteira assinada aumentou 1,6%, na comparação com agosto. Em relação a setembro do ano passado, o contingente foi 3% maior. A pesquisa também revelou alta no número de empregos sem carteira (0,8%) e no grupo dos trabalhadores autônomos (1,3%).

Mesmo com o recuo na taxa, o total de desempregados continua elevado. No mês passado eram 2,4 milhões. Para o gerente da pesquisa, a taxa pode baixar mais até o fim do ano, embora não tenha adiantado se chegará a um dígito. Em setembro, com exceção de São Paulo, onde houve aumento do desemprego em 0,9 ponto percentual em relação a agosto, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Salvador e Belo Horizonte registraram recuo.

Todas as atividades pesquisadas apresentaram estabilidade. A exceção foi o segmento outros serviços (hospedagem, turismo, recreação, alimentação, limpeza urbana e serviços pessoais), com elevação de 3,5% na comparação com agosto.

O número de pessoas ocupadas subiu 3,6% em setembro ante o mesmo mês de 2003 e aumentou 1% sobre agosto, totalizando 19,4 milhões nas seis regiões. Por outro lado, o número de desocupados (procurando emprego) caiu 14,8% em setembro sobre o mesmo mês do ano passado e 3,7% ante agosto.

Rendimento

O rendimento dos trabalhadores também mostrou sinais de recuperação, com aumento real de 3,2% em setembro ante igual mês do ano passado e crescimento de 1,7% ante agosto. O rendimento médio real no mês, nas seis regiões, foi estimado em R$ 910,10.

Quatro das seis áreas investigadas apresentaram recuperação neste indicador na comparação com agosto de 2004: Salvador (2,1%), Belo Horizonte (0,6%), Rio de Janeiro (3,5%) e São Paulo (1,6%). Porto Alegre foi a única região a apresentar queda no rendimento (-0,9%). Em Recife houve estabilidade. Em relação a setembro do ano passado o resultado foi positivo em Recife (5,2%), Salvador (1,4%), Belo Horizonte (5,4%) e São Paulo (5,7%). Rio de Janeiro (-0,3%) e Porto Alegre (-0,6%) apresentaram perda real no rendimento.

Tendência

Azeredo estima que a taxa de desemprego deve continuar a cair até o fim do ano. “O desemprego deve apresentar taxas menores em função do componente sazonal, principalmente em dezembro”, disse. Nos últimos trimestres dos anos, a economia habitualmente se aquece por conta das vendas de fim de ano e as contratações temporárias costumam aumentar.

Com relação à renda, o gerente do IBGE diz haver uma tendência na sua recuperação neste ano. Entretanto, se comparada aos níveis de 2002, a renda ainda mostra perdas. “Em 2004, a renda ainda não recuperou toda a perda ocorrida em 2003”, completou.

Um dígito até o final do ano

Brasília – Ao divulgar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente a setembro, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse que o índice de desemprego no País pode chegar ao fim do ano em um dígito. Berzoini acrescentou que há cerca de quatro meses o resultado do Caged tem sido compatível com a pesquisa do IBGE. “O desemprego pode chegar ao final do ano em um dígito porque outubro, novembro e dezembro são meses favoráveis para a queda do desemprego”, declarou o ministro.

Entretanto, apesar do otimismo com o aumento do número de vagas no mercado formal de trabalho e da aposta na queda do desemprego para um dígito até o fim do ano, o ministro mostrou sua preocupação com a alta do preço do petróleo no mercado internacional e a elevação dos juros pelo Banco Central. Segundo Berzoini, os dois fatores podem comprometer o mercado de trabalho no ano que vem. “Caso não haja uma reversão da tendência do preço do petróleo e da política monetária, evidentemente que teremos um cenário mais pessimista para 2005”, disse o ministro.

Berzoini lembrou que, por duas vezes seguida, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu aumentar a Selic, afirmando que sua expectativa é de que que a taxa de juros de longo prazo (TJLP) não acompanhe a Selic, “porque o País precisa de investimentos para enfrentar os gargalos na área de infra-estrutura”. A TJLP é a taxa que corrige os empréstimos feitos pelo BNDES.