A quantidade de pessoas que procurou crédito cresceu 16,4% em 2010, segundo informou hoje a Serasa Experian, empresa especializada em análise de crédito. A expansão foi a maior já registrada pelo índice. Em 2008, o crescimento havia sido de 6,4% e, em 2009, por conta dos reflexos da crise financeira internacional, a demanda havia recuado 1,2%. Em dezembro de 2010, a procura dos consumidores por crédito avançou 1,5% em relação a novembro e 19,7% na comparação com dezembro de 2009.

Segundo a Serasa, a expansão da demanda em 2010 foi impulsionada pelas condições favoráveis aos consumidores, pelo elevado grau de confiança e pelo bom momento vivido pelo mercado de trabalho, com a taxa de desemprego atingindo níveis recordes de baixa. Por sua vez, as recentes medidas adotadas pelo Banco Central (BC), de aumento dos compulsórios e demais regras prudenciais, e a possibilidade de aumentos nas taxas de juros já a partir deste trimestre deverão fazer com que o ritmo de crescimento seja menos intenso em 2011.

O Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito é construído a partir de uma amostra de CPFs consultados todos os meses na base de dados da Serasa Experian. As transações consideradas configuram alguma relação creditícia entre os consumidores e as instituições do sistema financeiro ou de empresas não financeiras.

Divisão por renda

Os consumidores com menor renda mensal foram os que puxaram a alta da procura por crédito em 2010. O avanço foi de 46,3% para aqueles cujo rendimento mensal situa-se abaixo de R$ 500. A Serasa Experian destaca que a diminuição da informalidade no mercado de trabalho beneficiou, principalmente, os indivíduos de baixa renda, que passaram a dispor de maior acesso ao mercado de crédito.

Todas as demais faixas de rendimento pessoal também apresentaram elevações em suas demandas por crédito em 2010, variando entre 10,6% (renda entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por mês) e 27,9% (entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por mês). Na divisão por regiões, o destaque foi o Nordeste, onde a demanda por crédito cresceu 17,7% no ano passado. Em seguida aparecem Sudeste (17,4%), Centro-Oeste (15,2%), Sul (14,1%) e Norte (13,5%).