Pouco mais de um ano após a quebra do banco americano Lehman Brothers, a crise econômica começa a chegar à indústria naval fluminense. Responsáveis pelo ressurgimento do setor, no início da década, os estaleiros do Estado se preparam para um período de entressafra, motivado pelos diversos adiamentos em licitações de plataformas da Petrobras e pelo início das operações de canteiros em outros Estados. Demissões são dadas como certas.

Os dois maiores estaleiros do Estado, Mauá e Brasfels, estão finalizando a construção de plataformas e devem passar por um período sem grandes obras. Embora as perspectivas de encomendas futuras sejam grandes, o curto prazo não é animador. “O cenário é o pior possível”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis, sede do Brasfels, Paulo Inácio Furtuoso.

Não há, hoje, contratos assinados para a construção de novas plataformas no Estado. A única obra em negociação, a P-61, só deve ser iniciada em meados do ano que vem no Brasfels. O canteiro deve receber ainda os módulos da P-58, cujo casco será convertido em Cingapura. A obra, porém, também será feita no médio prazo.

A situação é pior no Mauá, que termina em pouco mais de um mês a obra da PMX-1, plataforma que será instalada no campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, e não tem contrato para nenhuma nova plataforma – a empresa ainda pode ser punida pela estatal por envolvimento de executivos na Operação Águas Profundas, da Polícia Federal. O estaleiro está com três navios do Programa de Renovação de Frota da Transpetro e com alguns reparos, mas o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, Reginaldo Costa e Silva, diz que há risco de 3,5 mil demissões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.