A globalização desacelerou, segundo pesquisa da Ernst & Young com 730 líderes empresariais globais, que será divulgada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que começa nesta quarta-feira (23).

O estudo “Olhando além do óbvio: globalização e novas oportunidades de crescimento”, a que o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso, mostra ainda que os chamados “países de rápido crescimento não Brics”, como México, Turquia, África do Sul e Vietnã, estão ganhando espaço junto aos investidores na comparação com os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).

Os Brics, por sua vez, estão crescendo menos do que as expectativas recentes, e podem embarcar em mais protecionismo. Uma parcela de 46% das lideranças empresariais consultadas disse esperar que o protecionismo crescerá nos Brics nos próximos 12 meses, comparado a apenas 32% que julgaram que o mesmo aconteceria com os países de rápido crescimento não Brics.

Segundo o estudo, a globalização, definida como integração dos negócios entre diferentes países, vai continuar nos próximos anos, mas em ritmo mais lento. As causas principais dessa desaceleração foram a crise global e as recessões subsequentes, especialmente nos países ricos.

A pesquisa da Ernst & Young aponta que os Brics foram a grande aposta das multinacionais na década passada, e continuarão a ser peças fundamentais da economia global, como crescimento médio superior ao do mundo.

Mas, segundo os executivos ouvidos, as dificuldades de operar nos Brics estão aumentando, sendo citados especificamente a desaceleração do crescimento, a alta da inflação e dos custos do trabalho, a instabilidade política, as carências de infraestrutura e os problemas burocráticos que erodem a confiança empresarial.

A pesquisa mostra que o número de executivos que vê os emergentes não Brics como principal fonte de novas receitas hoje é de 26%, enquanto o número que acredita que serão a principal fonte de novas receitas dentro de três anos sobe para 45%. O estudo cita dados como o de que o México é hoje o maior produtor do mundo de TVs de tela plana, o que é possível pelo custo relativamente baixo da mão de obra e pelos avanços educacionais.

A África também é mencionada como uma nova fronteira de negócios, com aumento de 50% do investimento estrangeiro direto desde 2005, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O relatório da Ernst & Young aponta ainda que, mesmo com a economia combalida nos Estados Unidos e na Europa, as oportunidades de negócios estão voltando a crescer nos países ricos.

Uma das razões é uma desaceleração da tendência de empresas de países desenvolvidos, especialmente dos Estados Unidos, de deslocarem para países emergentes etapas da sua produção. O estudo cita exemplos de empresas americanas que transferiram recentemente da China para os Estados Unidos a fabricação de produtos como caixas automáticos e pneus. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo