As crises fiscais na Grécia, na Irlanda e em Portugal ainda podem se espalhar para outras partes da zona do euro e do Leste Europeu, afirmou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em seu relatório semestral sobre a economia europeia, o FMI disse que, embora a integração financeira tenha contribuído para o aumento das dívidas desses três países, uma maior integração é necessária para ajudar a zona do euro a resolver seus problemas. A zona do euro reúne atualmente 17 países que utilizam o euro como moeda.

“Respostas políticas fortes têm conseguido conter os problemas de dívida soberana e do setor financeiro na periferia da zona do euro até agora, mas um contágio para o centro do bloco, e então para a Europa emergente, permanece como um risco negativo tangível”, afirmou o FMI.

Em particular, o fundo destacou que os fracos sistemas financeiros continuam sendo uma ameaça à saúde financeira dos governos da zona do euro, o que enfraquece ainda mais os bancos, porque as carteiras de bônus soberanos que possuem perdem valor. “Os laços negativos entre as preocupações com a estabilidade dos governos e os balanços financeiros dos bancos estão provando ser difíceis de romper”, comentou o fundo, acrescentando que as preocupações com os balanços financeiros dos bancos vão além da periferia da zona do euro.

Segundo o FMI, os bônus com vencimento em 2011 serão equivalentes a 10% da produção econômica combinada de Grécia, Portugal e Espanha, mas Bélgica, Irlanda e Reino Unido também terão “necessidades de rolagem” significativamente mais altas. O FMI afirmou que a integração parcial dos sistemas financeiros depois do lançamento da zona do euro contribuiu para a escala e a duração da crise fiscal, mas os investidores em bônus também ignoraram o aumento dos problemas.

Integração

O FMI disse que a zona do euro não deve voltar atrás na integração financeira, mas, em vez disso, deve torná-la mais completa – já que isso vai ajudar a evitar futuras crises bancárias. A região também precisa reduzir o uso de fundos do governo. Segundo o FMI, a redução no número de bancos da zona do euro, também necessária, está ocorrendo muito lentamente, o que atrasa a integração.

O FMI espera que os déficits na Grécia, na Irlanda e em Portugal fiquem em linha com as metas dos governos. O fundo prevê que o déficit grego caia de 7,4% neste ano para 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012. No caso da Irlanda, o déficit cairia de 10,8% para 8,9% e, em Portugal, de 5,6% para 5,5%. As informações são da Dow Jones.