O delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, avalia que os números do crescimento econômico deste ano – e, por conseqüência, também do emprego – são motivo de comemoração. Mas, a exemplo do Presidente Lula, observa que "ainda precisamos fazer muito".

Segundo Serathiuk, "é importante perceber que mesmo com políticas de popularização do crédito e de incentivos fiscais para os pequenos e médios empresários, que levaram à diminuição da informalidade, e com a aprovação de novos marcos regulatórios auxiliares do processo de crescimento, ainda precisamos trabalhar para uma maior inclusão social e melhoria dos níveis de renda".

Como exemplo dessa realidade, cita o Paraná. "O Estado continua com índices muito altos de informalidade, é o quarto colocado em níveis de acidente e morte no trabalho e os salários ainda estão muito baixos", diz. Serathiuk lembra que os setores que têm gerado emprego, por estarem exportando, têm problemas de baixos níveis salariais e de geração excessiva de doenças por movimentos repetitivos. "A indústria frigorífica é um exemplo mas, no setor da madeira, os índices de acidentes são ainda mais altos. No setor agrícola temos altos níveis de informalidade, exportando, sim, déficit previdenciário para o futuro. E no setor do vestuário, além da informalidade, temos baixos salários e a exposição dos trabalhadores a ambientes de trabalho precário", resume.

Por isso, Serathiuk afirmou que o mérito do Presidente Lula tem sido o de ressaltar o crescimento econômico e do emprego e mostrar sua vontade em melhorar os níveis de distribuição da renda. "Isso significa seu compromisso com um crescimento com inclusão social. A população está entendendo isso ao demonstrar sua aprovação nas pesquisas", opina. Ele disse também que os governantes que só comemoram, sem mostrar a dura realidade e o que pretendem fazer, não têm tido aprovação.

Serathiuk ressalta a importância de o governo construir uma lei da Economia Solidária, dando apoio fiscal e de crédito às cooperativas para que a população que vive na informalidade, principalmente nas regiões metropolitanas, seja incluída socialmente, e defende um novo modelo de educação profissional e de qualificação gratuito.

Esse modelo, no seu entender, precisa envolver o setor educacional público e o Sistema S, a disseminação dos consórcios de produtores rurais para combater a informalidade no campo e o agendamento da discussão da melhoria do nível de renda dos trabalhadores durante a implantação dos arranjos produtivos.

"Afinal não adianta comemorarmos crescimento sem distribuição de renda. Isso já aconteceu no Paraná, no governo passado, mas a maioria da população não recebeu os beneficios do crescimento. É só ver os índices de acidente, informalidade, desenvolvimento humano e renda e a perda da capacidade de investimento dos municípios e do Estado", conclui.