São Paulo (AE) – A carne bovina deve ficar mais barata para o consumidor a partir da semana que vem, como resultado do surgimento do foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e que provocou embargo das exportações brasileiras do produto para cerca de 30 países. A previsão é do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas do Estado de São Paulo, que representa os açougues.

"O impacto está criado: haverá uma maior oferta de carne no mercado doméstico e a tendência é de os preços recuarem para o consumidor", afirma o presidente da entidade, Manuel Henrique Farias Ramos. Da oferta total de carne bovina, 80% ficam no mercado doméstico e 20% são exportados.

Ramos observa que o mercado interno teve reajuste de preços de cerca de 10% na semana passada em razão do início da entressafra, período de menor oferta. Mas, diante do novo cenário, esse aumento deverá ser revertido.

Hoje, por exemplo, o quilo da carne de primeira (traseiro), de melhor qualidade, era cotado, em média, no varejo a R$ 4,80, ante R$ 4,30 da semana passada em São Paulo. A alta é de 11,6%. O aumento, diz Ramos, reflete o reajuste no preço da arroba do boi antes da descoberta do foco de febre aftosa.

"Hoje, no entanto,os negócios entre os pecuaristas e os grandes frigoríficos, que são exportadores, estão travados. O pecuarista está tentando segurar o gado", observa. Ele pondera que os frigoríficos médios, que trabalham com estoques menores, continuaram a negociar o produto.

Inflação

Um recuo de preços no mercado doméstico é positivo especialmente para a inflação, diz o presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) e especialista em preços, Heron do Carmo. "A aftosa pode ajudar a atingir a meta de inflação de 5,1% traçada para este ano e reforça a tendência para a queda dos juros", diz o economista. É que a carne bovina, além de ter um peso importante nos índices de preços – no Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), por exemplo, responde por 2,51% -, influencia as cotações de outros tipos de carnes, como a suína e de aves. Com a maior oferta doméstica, a perspectiva é o preço da carne em geral recue. Na primeira quadrissemana deste mês, o preço da carne bovina subiu 1,73%; da carne suína, 2,74%; e o frango aumentou 10,76%.

Além de afetar as exportações, o episódio da febre aftosa agrava uma situação no mercado interno que já não era confortável para os pecuaristas. A demanda doméstica neste ano não dá sinais de crescimento por conta da renda estagnada e o nível de emprego não ter registrado grandes avanços. O consumo per capita de carne bovina gira em torno de 36 quilos por ano. A maior marca foi atingida no Plano Real, em 1994, quando o consumo foi de 40 quilos.