A comissão especial para acompanhar a aplicação de licenças não automáticas no comércio entre o Brasil e a Argentina, anunciada na sexta-feira, já está trabalhando, segundo informações do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A comissão terá a responsabilidade de checar o cumprimento do compromisso argentino de que os exportadores brasileiros não serão prejudicados pelas novas exigências de licenças de importação.

Segundo o ministério, a comissão terá a colaboração do setor privado para informar sobre os casos de produtos barrados na fronteira do sócio. O anúncio sobre a criação da comissão foi feito pelos ministros de Indústria de ambos os países, Fernando Pimentel e Débora Giorgi, após reunião em Buenos Aires, na qual a ministra argentina assumiu publicamente o compromisso de não prejudicar o Brasil.

“Manifestamos, claramente, que as licenças não automáticas que se estendem de 400 para 600 posições, não vão afetar nenhuma venda que o Brasil faz ao nosso território, de forma alguma”, prometeu Giorgi. O ministro Pimentel tomou a “palavra de Giorgi” como “suficiente para garantir que os produtos brasileiros não sofrerão restrições”.

Os números, no entanto, colocam em dúvida a promessa do país vizinho. Analistas locais estimam que o superávit comercial da Argentina, em janeiro, teria caído 35,2%, a US$ 788,3 bilhões, ante igual mês de 2010, quando marcou US$ 1,217 bilhão. O desempenho do superávit comercial argentino marca uma tendência de queda. Em dezembro, por exemplo, sofreu redução de 80,3%, atingindo US$ 241 milhões.

Pimentel exibiu um clima de cordialidade e tentou atenuar o impacto do anúncio das novas barreiras, que passam a vigorar na primeira semana de março. “Não há nenhum desentendimento ou mal-estar na relação Brasil-Argentina”, afirmou Pimentel, afastando versões de que o Brasil estaria irritado com a Argentina. Ele reconheceu, porém, que a medida “provocou inquietude no setor produtivo”.