Foto: Arquivo/O Estado
Tomate, de novo, um dos vilões da cesta básica.

Depois de dois meses seguidos de queda, o custo da cesta básica voltou a subir em Curitiba, encerrando o mês de março com alta de 1,51%. Entre os produtos que mais pressionaram o índice estão o tomate e o arroz, com aumento de 21% e 12,03%, respectivamente. Com o resultado de março, a cesta básica acumula, no ano, queda de 8,65% e, nos últimos 12 meses, queda de 2,83%. Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).

Dos treze itens que compõem a cesta básica, nove registraram aumento e quatro, redução de preço. A alta mais expressiva veio do tomate, com o preço médio do quilo passando de R$ 1,00 para R$ 1,21 (alta de 21%). De acordo com o economista Sandro Silva, do Dieese-PR, o produto está em final de safra. Em dezembro, o quilo do tomate custava R$ 2,39, em média. Já o aumento do arroz (12,03%) pode, segundo o economista, não estar expressando a realidade. ?O padrão de pesquisa do Dieese é o arroz tipo 2, e nos mercados de Curitiba há pouca oferta desse produto. Nesse caso, qualquer promoção traz um grande impacto?, explicou. Foi o que teria ocorrido em fevereiro, quando uma grande rede de supermercados fez uma forte promoção.

Outros produtos que tiveram aumento de preço em março foram o açúcar (alta de 3,87%), o pão (2,96%), a banana (1,97%), a farinha de trigo (1,09%) o leite (0,83%) e a carne (0,23%).

Na outra ponta, a batata registrou a maior queda (-5,78%), com o preço médio do quilo passando de R$ 1,73 para R$ 1,63. Segundo Silva, o produto está vindo de um patamar alto de preço, apesar do período de safra. ?Em janeiro, o preço médio era de R$ 2,13 o quilo, enquanto em dezembro de 2004 custava R$ 1,06?, comparou. Em fevereiro, o preço da batata já havia caído 18,78%. Outros itens que tiveram redução no preço foram manteiga (-4,12%), feijão (-2,70%) e café (-0,94%). O preço do óleo de soja permaneceu estável.

Mais cara

Em Curitiba, o custo da cesta básica ficou em R$ 161,61, a sexta mais cara entre 16 capitais pesquisadas pelo Dieese. A mais cara foi verificada em São Paulo (R$ 177,28) e a mais barata em Fortaleza (R$ 125,03). O custo com alimentação para uma família composta por um casal e duas crianças foi de R$ 484,83.

Com relação à variação, Curitiba ficou na quinta posição, com alta de 1,51%. O maior aumento foi verificado em Recife (4,86%) e a maior queda no Rio de Janeiro (-2,28%). No ano, apenas uma das 16 capitais pesquisadas acumula alta no custo da cesta básica: Goiânia, com variação de 0,37%. Todas as demais apresentam queda, com destaque para Porto Alegre (-14,22%), seguida por Curitiba (-8,65%) e Florianópolis (-8,31%).

Conforme o Dieese, o salário mínimo para atender necessidades vitais básicas como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social deveria ser de R$ 1.489,33.

Expectativa

Para o mês de abril, a expectativa é que o custo da cesta básica registre nova alta. ?Há possibilidade de o tomate continuar subindo, embora com um índice menor. Também a batata pode reverter a tendência e registrar aumento?, apontou Sandro Silva. Segundo ele, porém, dois produtos podem ?segurar? o aumento do custo da cesta em abril: a carne e o arroz.