O aumento das vendas de carros importados, que em seis anos passou de 61,7 mil unidades para as mais de 500 mil previstas para este ano, criou um mercado paralelo de usados de luxo, com lojas especializadas e departamentos específicos nas concessionárias. A grande oferta também torna mais acessível um segmento antes restrito a poucos. Carrões como Mercedes-Benz, BMW e Audi com poucos anos de uso e baixa quilometragem estão roubando clientela de modelos top nacionais zero-quilômetro.

Com uma frota maior de importados usados, já não é tão inusitado ver modelos de alto luxo circulando por todas as regiões do País. O receio de potenciais consumidores, principalmente relacionado à questão da segurança, está diminuindo. “O medo da exposição pública já não é tão significativo”, constata o executivo de uma marca de luxo.

Para a nova classe social que brotou no País junto com o crescimento econômico, o importado usado é a porta de entrada para o segmento de alto luxo. Entre 60% e 70% dos novos clientes de usados da Audi são proprietários de modelos mais sofisticados de marcas nacionais que migraram para o primeiro importado, informa Marco Francisco Borrs, gerente de desenvolvimento da rede e de usados da marca.

Os mais procurados por esses consumidores são as versões do A4, com preços entre R$ 80 mil e R$ 120 mil. “Eles têm motor 1.8 turbo, quatro airbags, freio ABS de última geração e vários outros itens que um modelo nacional top não tem”, compara Borrs. A versão nova custa a partir de R$ 140 mil. Alguns dos concorrentes com produção local, como o Toyota Corolla e o Honda Civic custam, respectivamente, R$ 89 mil e R$ 103 mil nas versões mais completas.

O grupo Eurobike, concessionário BMW, inaugurou no início do ano em São Paulo uma revenda especial para seminovos. Além dos próprios carros da marca que entram na troca por versões mais novas, a loja trabalha com Audi, Land Rover, Volvo e Porsche. Segundo o presidente da Eurobike, Henry Visconde, “o mercado de seminovos de luxo está se profissionalizando”.

Um dos cuidados é verificar a procedência e a qualidade do veículo. Das vendas totais do grupo no ano passado, de 2,2 mil unidades, 40% foram de seminovos.