A proposta em estudo pelo governo brasileiro de um amplo acordo de comércio bilateral Brasil-China está sendo bem recebida pelos setores empresariais, mas o governo deve trabalhar a questão com todo o cuidado, pois há riscos potenciais para importantes setores da economia brasileira. Esta foi a conclusão de participantes do seminário “BM&F na China”, realizado pela Bolsa de Mercadorias & Futuros e que reuniu mais de 400 empresários nesta quinta-feira em Xangai.

O ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa – hoje consultor na área internacional – fez um alerta. Segundo ele, Brasil e China têm potencialidades complementares, mas também têm diferenças que podem representar problemas futuros num acordo desse porte.

Barbosa citou como exemplo a alta produtividade da mão-de-obra chinesa no setor têxtil, que dificilmente não serviria como moeda de troca num acordo de comércio com a China.

Outro setor que poderia sofrer problemas é o de calçados. O consultor fez questão de ressaltar que não defende medidas protecionistas por parte do Brasil, mas diz que o governo deveria adotar um claro plano de ação para que setores importantes não tenham prejuízos.

Outro desafio, afirma Barbosa, é fazer com que o Brasil consiga ser tão atrativo para o investidor externo como é a China, hoje um país captador de recursos estrangeiros que poderiam estar indo para o Brasil.

“O desafio é conseguir mostrar ao investidor que pode haver um fluxo de investimentos para os dois países simultaneamente. Um acordo não pode ser feito só na área comercial, mas na de investimentos também.”

O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi – que também é o maior plantador de soja do País – afirmou que é preciso que haja regras claras e fiscalização eficiente para preservar tanto o exportador brasileiro quanto o importador chinês:

“Quando um chinês quer comprar, ele assume o risco junto com o nosso vendedor. Mas quando eles querem vender, não admitem ter risco algum.”

O governador fará uma visita a um grupo de empresas esmagadoras de soja chinesas numa espécie de fiscalização informal do produto brasileiro que está chegando ao País.

“Os compradores têm reclamado da qualidade da nossa soja e isso tem gerado intranqüilidade nos mercados. Os preços na Bolsa de Chicago ainda estão altos, por isso esse assunto precisa ser enfrentado de frente.”

Segundo alguns empresários brasileiros da área agrícola, os chineses estariam aproveitando o episódio do envio de alguns carregamentos de soja do Brasil com produto considerado contaminado para baixar as cotações nas negociações de preços com exportadores brasileiros.

Presidente já está no México

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua viagem de cinco dias à China. Ele embarcou no aeroporto internacional de Xangai com destino ao México. No seu último dia na cidade considerada o centro financeiro chinês, Lula participou de um café da manhã no Hotel Hilton com autoridades do governo que integraram a missão presidencial, governadores e empresários brasileiros e chineses.

Lula também concedeu uma audiência ao prefeito de Xangai, Han Zheng, que ofereceu um banquete de despedida para o presidente brasileiro.

No México, Lula participará da III Cúpula de presidentes da União Européia, América Latina e Caribe.

Países negociam um terceiro satélite

A China e o Brasil vão lançar um terceiro satélite para estudar a Terra, informou o ministro das Relações Exteriores da China ontem, quando o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, encerrou a visita de seis dias à China.

“Ambos os lados estão atualmente realizando consultas e aspiram lançar um terceiro satélite num futuro próximo”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Liu Jianchao, em entrevista coletiva.

China e Brasil lançaram em conjunto dois satélites para reunir informações sobre meio-ambiente, agricultura, planejamento urbano e poluição da água.

O mais recente satélite foi lançado do norte da China, em outubro, dias depois de o país ter se tornado a terceira nação a enviar um homem ao espaço.