Anúncio da novidade: 1.º pregão
no dia 11 de outubro.

A soja brasileira não será mais negociada somente na Bolsa de Chicago, o maior mercado mundial do produto e, desde a década de 80, a única opção para os negociadores do País. No próximo dia 10 de outubro, a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF) lança o Contrato Futuro de Soja em Grão a Granel, e no dia 11 fará o primeiro pregão de comercialização do grão. A decisão foi anunciada ontem, em Curitiba, pelo consultor da BMF Antônio Bueno. O Porto de Paranaguá será a base para entrega do produto negociado na bolsa.

O único dos sete terminais privados do Porto de Paranaguá credenciado a receber a soja negociada na BMF é a Companhia Brasileira de Logística (CBL). O contrato de adesão foi assinado ontem em Curitiba pelo gerente-geral da empresa, Washington Viana. “Este evento é histórico no Brasil em termos de agilização de negócios”, destacou. “A alta produtividade da soja no Brasil, a participação crescente do País no mercado mundial, os investimentos no Porto e esse contrato vão consolidar a credibilidade do porto de Paranaguá”, acentuou. A CBL investiu R$ 6 milhões no início do ano para construção de quatro novos silos – que aumentaram a capacidade de armazenagem para 75 mil toneladas – e da segunda linha de expedição.

“Vivemos um momento histórico em relação à economia de oleaginosas e grãos”, salientou o consultor da BMF Antônio Bueno. “Pela primeira vez, a safra plantada em outubro e novembro e colhida a partir de março nos países do Mercosul (85 milhões de toneladas) terá uma oferta consolidada de soja superior à norte-americana (72 milhões de toneladas), que até então era a líder indiscutível, mas teve uma quebra de safra de 8%”, citou.

Segundo Bueno, “a BMF tem a preocupação de lançar instrumentos que sejam vitais para o crescimento econômico e aperfeiçoamento da comercialização”. “O complexo soja é o maior exportador brasileiro, com mais de 10% das exportações, acima de autopeças”, frisou.

Negociação

Bueno não precisou uma estimativa do volume de soja que será negociado na BMF, mas acredita que supera o valor do café. “A Bolsa de Chicago negocia quinze vezes o valor da produção mundial de soja. Das commodities, só perde para o petróleo. Na BMF, apesar dos problemas tributários, o café negocia duas vezes o valor da safra brasileira”, detalhou. Apenas 2% do volume negociado (30% da produção total) em bolsa é entregue fisicamente. Uma missão chinesa já demonstrou interesse em investir na soja negociada na BMF.

Como o novo contrato refere-se exclusivamente à exportação, não terá impostos. O contrato futuro de soja prevê a negociação das posições (data de entrega do produto) para março, abril, maio, julho, setembro e novembro. A soja comprada a partir de 11 de outubro será entregue a partir de março de 2003. A negociação na BMF é feita através de corretoras.