A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio, divulgada ontem, não deixa dúvidas de que uma alta dos juros domésticos está descartada, apesar dos avanços do câmbio e do preço do petróleo no mercado internacional. A avaliação foi feita pelo analista do Banco Safra, Juliano Sucupira. A hipótese foi levantada pelos agentes do mercado financeiro após a decisão de manter a Selic em 16% ao ano na reunião deste mês e com as recentes notícias de turbulência no mercado externo.

“Os membros do Comitê quiseram afastar o temor de uma alta dos juros no curto prazo, mostrando que a parada foi técnica e para observação”, disse.

Para Sucupira, a informação do documento de que mesmo com petróleo e câmbio, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está mais próximo do centro da meta de inflação (5,5%) do que do teto (8%) não significa que a banda de cima seja utilizada como parâmetro. “Isto não invalida o que foi falado ontem pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de se continuar buscando o centro da meta”, observou.

Segundo o analista, o perfil da ata somado ao resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, considerado “muito bom”, mostram que a condução da economia brasileira está correta. “A política econômica do ministro Antonio Palocci (Fazenda) está dando resultado”, afirmou, acrescentando que a continuidade do crescimento no mesmo ritmo do ano passado é um fato inesperado e altamente positivo.