O novo superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Mário Lobo Filho, assumiu o cargo ontem e prometeu trabalhar em duas frentes: lidar com a melhoria na infraestrutura dos portos paranaenses e atuar em questões emergenciais.

Um exemplo disto é a adequação operacional para escoar uma safra recorde de grãos, prevista para o Brasil neste ano. “Estamos vivendo a maior safra da história e temos que enfrentar questões do dia-a-dia. Porque a parte estrutural não virá agora. Temos que recuperar a primazia do porto de Paranaguá no escoamento de grãos. Ao lado disto, buscar outras opções de cargas, pois Paranaguá tem essa vocação de porto múltiplo”, opinou.

Lobo Filho tem conhecimento sobre como funciona a Appa. Ele foi diretor administrativo e financeiro da autarquia entre 2002 e 2006. Antes de assumir a superintendência, estava no cargo de diretor de finanças e patrimônio da Paraná Previdência. Lobo Filho é o segundo parnanguara a dirigir a Appa.

O primeiro foi seu pai, Mário Lobo, entre 1991 e 1994. “Temos o mesmo silo de quando eu vinha aqui quando era criança. O porto tem problemas e sempre os terá”, comentou. No entanto, ele ressaltou que houve avanços de infraestrutura e instalações portuárias nos últimos sete anos.

O novo superintendente comentou ontem sobre pontos polêmicos acerca da administração dos portos do Paraná. Um deles é a compra de uma draga pela Appa, que ajudaria na manutenção dos canais de acesso aos portos.

“Sempre fui favorável à aquisição da draga. Mas também não adianta comprar e não saber como vai operar”, analisou Lobo Filho. Ele disse que o equipamento teria trabalho para o ano inteiro e, dependendo do calendário, ainda poderia prestar serviços para outros portos.

Ele acredita ser de caráter emergencial a dragagem dos berços do cais, o que auxiliaria no escoamento da safra atual, além de outros benefícios logísticos e financeiros.

Lobo Filho defendeu a competitividade entre os portos e assegurou que o Porto de Paranaguá não fará leilão em tarifas. “Nós éramos uma pedra no sapato de Santos. Era previsível que, quando os portos de Santa Catarina se estruturassem, este mesmo processo acontecesse contra nós. Certamente quando alguns terminais que estão em projetos ficarem prontos vão pegar carga de Itajaí. Este é um processo que não muda”, avaliou. De acordo com ele, o porto de Paranaguá tem a vantagem de localização em relação à região produtora de grãos.

Federalização

O novo superintendente se posicionou contra a federalização do porto de Paranaguá, que tem administração estadual. A proposta foi feita pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

“Não conheço o contexto da declaração do ministro, mas a federalização não resolveria nossos problemas porque o investimento pode vir a despeito do porto ser federal, estadual ou municipal. Se federalização fosse a panaceia, a Companhia Docas da Bahia seria a maior maravilha do mundo, por exemplo. E o algodão do sul da Bahia vem todo para Paranaguá”, revelou Lobo Filho, que se mostrou favorável à construção de um terminal de passageiros.

No entanto, disse que pode-se trabalhar neste sentido independentemente de uma nova estrutura – ou enquanto esta não fica pronta -, pois há cidades em que os passageiros descem no cais comercial, como Salvador.

Os portos de Paranaguá e Antonina, no primeiro trimestre de 2010, movimentaram 7,8 milhões de toneladas de cargas. O volume representa um aumento de 29,1% em relação ao mesmo período de 2009.

As exportações geraram uma receita de US$ 2,8 bilhões nos três primeiros meses deste ano. As m,aiores participações foram os embarques de produtos congelados, farelos, soja e veículos.