A maioria das empresas multinacionais vê a América Latina como a mais lucrativa entre os mercados emergentes, diz pesquisa do Frontier Strategy Group. Os mais de 200 clientes multinacionais da Frontier relataram que seus lucros operacionais na América Latina são 55% maiores do que na Rússia, na Índia e na China; 70% dos entrevistados disseram que a América Latina é o mercado emergente mais lucrativo.

Para as companhias multinacionais, fatores relacionados à demanda permitem que as empresas vendam seus produtos e serviços com margens mais confortáveis e realizem economias de escala, à medida que uma classe média cada vez maior demanda mais produtos com melhor qualidade.

Segundo Ryan Brier, da Frontier, as empresas multinacionais estão passando por uma “mudança de paradigma”, no qual suas unidades nos mercados emergentes passaram a responder por uma parcela maior de seus lucros. À medida que suas operações nesses países crescem, os executivos dessas empresas precisam convencer as matrizes de que são necessários mais investimentos.

O FMI prevê que a economia da América latina terá um crescimento de 3,6% neste ano, enquanto os países industrializados deverão crescer apenas 1,4%.

A pesquisa da Frontier indica que os gastos anuais dos consumidores na América Latina são de US$ 3,7 trilhões, ou US$ 6.142 per capita, comparados a US$ 3,1 trilhões e US$ 2.344 per capita, respectivamente, no caso da China. O crescimento econômico, a melhora no nível de emprego e a distribuição de renda mais equitativa são vistos como fatores que devem continuar a fazer crescer a disposição dos consumidores latino-americanos a consumir mais e a buscar marcas de maior prestígio.

De acordo com a pesquisa, os gastos governamentais na América Latina superam os de países como China, Índia, os do Oriente Médio e os da África, o que impulsiona as perspectivas de crescimento das oportunidades para que empresas da área de seguros de saúde, por exemplo, vendam produtos com maiores margens de lucro nos países em que os consumidores demandem serviços melhores. O papel importante do Estado nos serviços nacionais de saúde dos países latino-americanos também permite que os governos da região negociem preços melhores em suas compras, de modo que as empresas de serviços de saúde veem o potencial para um crescimento das margens na região como algo para o prazo mais longo.

No setor de varejo, as empresas da área de produtos ao consumidor veem oportunidades entre o grande número de pequenos estabelecimentos, já que um número limitado de participantes no esquema moderno de varejo permite aos grandes reduzir as margens,

Segundo Brier, o otimismo se inclina mais para a segunda maior economia da região, o México, por causa da agenda de reformas desse país e da melhora da competitividade na área de manufatura, assim como a Colômbia, enquanto que a perspectiva para o Brasil é menos certa, tendo em vista a desaceleração da economia, a carga da regulamentação e os custos mais altos para as empresas.

Ainda assim, os executivos das multinacionais veem a perspectiva do Brasil para o prazo mais longo como promissora, tendo em vista a relativa juventude da população do País e seu potencial na área de recursos naturais. “Aqueles que não seguiram a mentalidade de manada e correram para o Brasil estão mais confortáveis com suas posições atuais ali”, disse Brier. As informações são da Dow Jones.