A coordenadora do Programa Igualdade Racial da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ana Cláudia Farranha, afirmou que a segmentação do mercado de trabalho evidencia a problemática da discriminação feminina no Brasil. "Pesquisas apontam que 25% das mulheres negras entre 18 e 24 anos estão desempregadas. Também é preciso lembrar que, quanto mais altos forem os cargos nas empresas, menos negros são encontrados". A taxa média de desemprego de trabalhadores entre 18 e 24 foi de 19,3% em janeiro de 2005, nas seis principais regiões metropolitanas, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Considerando-se apenas as mulheres, a taxa sobe para 22%.

Segundo a especialista regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) nas questões de gênero e trabalho, Laís Abramo, a descriminação racial não pode ser considerada uma discriminação de minorias. "Dados do IBGE indicam que os negros ou afrodescententes correspondem a 46,5% da população economicamente ativa no Brasil, quase 50%".

Ambas participaram hoje (11) da abertura do seminário internacional Promovendo a Igualdade Racial: um Diálogo sobre Políticas. O primeiro dia do evento abordou as ações de promoção da igualdade racial no trabalho e a discriminação sofrida por mulheres negras no mercado. O fórum acontece até a próxima quinta-feira (14) e pretende reunir mais de 200 pessoas.