Um equívoco cartográfico descoberto em 2024 alterou a divisa entre Paraná e Santa Catarina. Aproximadamente 490 hectares de território paranaense pertenciam, na verdade, ao estado vizinho. A correção, no entanto, representa apenas 0,002% da área total do Paraná.

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A revisão dos marcos históricos que delimitam a divisa entre os estados surgiu de uma situação inusitada: um proprietário rural precisava identificar com precisão onde ficava a propriedade herdada pela família, localizada entre Guaratuba, no Litoral do Paraná, e Garuva, em Santa Catarina.

Durante a análise do Instituto Água e Terra (IAT), o proprietário apresentou registros fotográficos e documentos antigos que indicavam a existência de marcos divisórios históricos desconhecidos pelos órgãos oficiais. A informação levantou suspeitas sobre um possível erro no traçado adotado ao longo de décadas.

Pesquisas em acervos históricos confirmaram a presença de marcos implantados entre 1916 e 1922, período em que o Exército realizou o trabalho de delimitação da fronteira. A partir dessas evidências, equipes técnicas refizeram a medição da área com o uso de tecnologia GPS.

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O novo levantamento apontou que uma faixa de aproximadamente 28 quilômetros de extensão, até então atribuída ao Paraná, pertencia a Santa Catarina. A área perdida equivale a cerca de 690 campos de futebol.

Por que estava errado?

A origem do erro está ligada ao contexto histórico do início do século 20. A definição da fronteira ocorreu logo após a Guerra do Contestado (1912–1916). O conflito expôs disputas territoriais antigas e levou o governo federal a acelerar a definição de limites entre os estados, mesmo diante de dificuldades técnicas e geográficas.

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Em 1918, militares foram colocados à disposição do Ministério da Justiça e Negócios Interiores para integrar uma comissão responsável pela demarcação da fronteira. Coube a esse grupo instalar marcos em áreas de mata fechada e relevo acidentado, usando mapas incompletos e métodos limitados.

Esta não foi a primeira vez que os estados vizinhos tiveram problemas territoriais. Santa Catarina e Paraná disputam há mais de 30 anos os royalties do petróleo produzidos em cinco poços de exploração no litoral, região marítima localizada a cerca de 150 quilômetros entre os municípios catarinenses de Itajaí e São Francisco do Sul.

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