A greve dos trabalhadores de instituições hospitalares privadas e filantrópicas entrou no segundo dia nesta quinta-feira (19) e continua por tempo indeterminado. Uma audiência ocorreu na tarde desta quinta no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entre a categoria e os representantes dos hospitais para tentar encerrar a paralisação, mas não houve acordo.

De acordo com a assessoria de imprensa do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc), que representa a categoria, o sindicato patronal chegou a aumentar a proposta de aumento de 6% para 6,38% a partir do mês que vem e outros 3% em fevereiro de 2017, atingindo o índice da inflação.

A pauta de reivindicação do Sindesc pede a correção salarial das perdas acumuladas do período 9,8% e mais 10% de aumento real; auxílio-alimentação de R$ 580 mensais, adicional de insalubridade calculado sobre o salário base de cada trabalhador, adicional noturno de 40%, adicional por tempo de serviço de 2% e manutenção das demais cláusulas sociais já conquistadas.

O Sindesc informou que a categoria aceitaria o aumento, mas não de forma parcelada como foi oferecido e por isso não houve acordo.

Mesmo com a paralisação, 100% dos trabalhadores dos setores de risco – urgência e emergência – e 50% dos outros setores devem seguir trabalhando. A categoria também precisa manter 70% do atendimento domiciliar no Hospital do Idoso.

Entre os trabalhadores que aderiram à paralisação estão enfermeiros, técnicos de enfermagem, funcionários de copa e cozinha e auxiliares administrativos.

Ainda de acordo com o sindicato, uma assembleia foi convocada para esta sexta-feira (20) para que os servidores possam organizar o movimento grevista. O Sindicato ainda afirmou que aguarda uma nova convocação do TRT para voltar a discutir a situação.

O presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficientes do Estado do Paraná (Femipa), Flaviano Ventorim, afirmou que a proposta oferecida pelo sindicato patronal atingiu o limite .

“O acordo que tentamos efetivar hoje ultrapassou o limite dos hospitais. Infelizmente, não há mais de onde tirar”, disse. De acordo com Ventorim, tanto o sistema privado de hospitais quanto os que recebem repasses do SUS passam por problemas financeiros diante da crise econômica enfrentada no país.

“Nós vemos com preocupação essa falta de acerto e entendemos que os empregados não podem sofrer. Mas o SUS tem cortado recursos e os planos de saúde vem perdendo adesões com o desemprego. A situação tem piorado muito”, comentou. A greve preocupa os hospitais, já que, com a extensão, mais pessoas podem ser prejudicadas. “O fim de semana será longo”, afirmou.

Greve entrou no segundo dia

Desde quarta-feira (18) os servidores estão em greve. Há registros de funcionários paralisados em nove hospitais: Hospital do Idoso Zilda Arns, São Vicente, Santa Casa, Cajuru, Vita Batel, Evangélico, Nossa Senhora das Graças, Hospital Pequeno Príncipe e Maternidade Nossa Senhora de Fátima. Há ainda funcionários em greve nos Centros de Atenção Psicossociais (Caps) e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Matriz.

O setor mais afetado corresponde aos trabalhadores contratados pela Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (Feaes) que prestam serviço aos 12 Centros de Atenção Psicossociais (Caps) da cidade e às Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Matriz.

A Feaes orienta que os pacientes que precisarem de atendimento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Pinheirinho e Matriz busquem outras unidades da capital.