A Rua 24 horas de Curitiba pode voltar a ser 24 horas. Pelo menos nos fins de semana. A Associação dos Comerciantes do local afirmou que a possibilidade já está em estudo, mas que, como ainda se trata de um projeto-piloto, não há como determinar uma data para que isso ocorra.

“É uma possibilidade e, inclusive, em breve isso pode estar acontecendo”, adianta Luiz Felipe Nodari, presidente da associação. Ele explica que a conversa com os lojistas caminha no sentido de colocar o espaço em funcionamento ininterrupto de sexta-feira a domingo. Isso dependeria, principalmente, dos estudos de viabilidade econômica e de segurança do local. “Por enquanto são ideias. Mas, já há um planejamento, uma discussão interna para que pelo menos aos finais de semana ela volte a funcionar 24 horas”, reforça.

Inaugurada em setembro de 1991 como a primeira rua comercial coberta do Brasil, a Rua 24 horas se tornou um ponto turístico de Curitiba por fornecer dezenas de serviços dia e noite. Um pouco antes de fechar para reforma, em 2007, os últimos comerciantes que trabalhavam no espaço já não mantinham mais as lojas abertas ininterruptamente, sobretudo, por questões de segurança.

Mas, ao ser reinaugurada em 2011, o então cartão-postal curitibano voltou com nova roupagem e decidiu deixar para trás a ideia original de receber pessoas a qualquer hora do dia. Aos poucos, o espaço também mudou o perfil de atendimento: se antes era um local voltado para serviços, hoje reúne em sua grande maioria um público que busca diversidade gastronômica. Dos 14 negócios montados ali atualmente, 12 são restaurantes.

Praça de alimentação

“A Rua 24 horas virou uma grande praça de alimentação a céu aberto. Eu posso falar que a grande maioria dos frequentadores é de quem trabalha aqui perto. Então, a gente tem que explorar o público que não está ao redor, os estudantes, os jovens de maneira geral”, aponta o presidente da associação.

Segundo Nodari, há alguns meses os lojistas estão envolvidos em iniciativas voltadas para mostrar a Rua 24 horas “da porta para fora”. O esforço é uma tentativa de melhorar as vendas, que, por causa da crise econômica, caíram em média 20% este ano.

“Muita gente comentou, nas redes sociais, que não lembrava da Rua 24 horas. E uma coisa que até assustou a gente foi gente perguntando ‘nossa, a Rua 24 horas ainda existe?’. Parece que caiu no esquecimento e agora queremos trabalhar para que a Rua volta a ser um local de destaque no Brasil”, diz.

E foram justamente as chances de que o espaço volte a ser um grande atrativo turístico que fizeram o cunhado de Julio Cezar Tabalipa, de 48 anos, investir em uma lanchonete no ambiente. Tabalipa gerencia a loja do parente e diz poder comparar o antes e o depois da Rua. “Melhorou muito. Por isso achamos que seria bom ter algo aqui”.

Hoje, passam pela Rua 24 horas cerca de 12 mil pessoas por dia. Nos finais de semana, o movimento cai, mas os planos para 2017 são investir principalmente em festivais para atrair públicos cada vez maiores e diversificados.

“A rua tem potencial e público para funcionar direto nos fins de semana. A gente consegue perceber pelo atual centrinho da Vicente Machado. Tem muitos jovens que ficam lá madrugada a dentro, e porque não trazê-los para cá?”, argumenta Nodari.

Licitação

Por ser um espaço público de uso comercial, a Rua 24 horas pertence à prefeitura. Contudo, sua administração foi concedida à iniciativa privada após a reabertura. Conforme a Urbs, 54% do faturamento da empresa responsável pela exploração comercial do ponto retorna ao município, o que representa, em média, R$ 30 mil por mês.

Atualmente, a praça de alimentação do ponto funciona das 9h às 22h, e as lojas, das 9h às 19h.

Próxima a diversos hotéis e com um fluxo relativamente intenso de turistas, segundo a associação comercial local, a Rua perdeu em junho de 2016 o Centro de Atendimento ao Turista (CAT) que ficava em uma de suas extremidades. Em nota, a prefeitura informou que o fechamento ocorreu por causa de danos causados pela chuva.

“A infraestrutura do prédio não suportou o volume de água e a infiltração danificou a forração das paredes e do piso. A obra ainda depende de recursos para ser feita”, esclareceu a administração municipal.

Curitiba tem outros dois CATs em funcionamento: Jardim Botânico e Rodoferroviária, Há ainda Postos de Informações Turísticas (PIT) no Instituto Municipal de Turismo, na Torre Panorâmica, no Estádio Couto Pereira e no Aeroporto Internacional Afonso Pena.