As quadras de aluguel e as academias de luta voltaram a funcionar em Curitiba, desde que entrou em vigor o bandeira amarela contra o coronavírus, com regras mais flexíveis do que a bandeira laranja. Para a reabertura desses espaços, os próprios empresários criaram protocolos sanitários que seguem as diretrizes das secretarias de Saúde estadual e municipal e já vinham sendo sugeridos para as autoridades sanitárias há algum tempo. Mas mesmo abertos, a procura de praticantes nesses centros esportivos ainda é pequeno.

As quadras de grama sintética, por exemplo, que costumavam lotar horários com jogos de vários times de futebol, estão com poucos grupos de atletas mensalistas retornando. Segundo Claudinei Santos, vice-presidente da recém criada Associação Paranaense dos Centros Esportivos (Apace) e também dono de uma quadra na CIC, ainda é cedo para saber se a baixa procura será uma tendência. “O retorno começou semana passada. A orientação da Apace é para que se respeite esse tempo dos clientes. Algumas pessoas ainda estão com receio por causa do contágio”, avalia Santos.

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Ainda de acordo com o presidente da Apace, há um entendimento de que o retorno dos praticantes será mais lento, já que a pandemia ainda não acabou. A Apace foi criada em abril justamente para garantir a segurança de quem quer voltar a praticar esporte em equipe. “Não havia uma associação de centros esportivos e sem ela o risco de cada empresário seguir protocolos diferentes para cada estabelecimento era grande. Com a Apace, criamos um protocolo único de medidas sanitárias que atendem as exigências dos decretos estadual e municipal. Fica mais seguro dessa forma”, explica Santos.

As regras sanitárias da Apace foram baseadas em um compilado de medidas adotadas em outras cidades do Brasil que já haviam retomando as atividades esportivas antes de Curitiba. “Protocolamos o documento na prefeitura de Curitiba para que todos possam seguir. Colhemos o que havia de mais importante nas medidas sanitárias, com base em mais de oito decretos de outros municípios, que têm base em apontamentos de especialistas em saúde”, argumentou.

Entre as medidas, além do uso de máscara e álcool gel, estão a obrigatoriedade de medição de temperatura, proibição de torcida, pedido para que crianças não acompanhem os pais nas quadras, proibição do uso de vestiário, proibição do uso de coletes e intervalo de 10 a 15 minutos entre um jogo e outro para evitar que grupos diferentes se aglomerem nas quadras. “Depois de cinco meses fechados, alguns com problemas financeiros graves, são regras importantes para que os centros possam funcionar com segurança”, finalizou Claudinei Santos.

Academias de luta

As academias de artes marciais também estão funcionando com regras sanitárias específicas. Assim como nos centros esportivos, os alunos ainda voltam lentamente para as atividades. Quando se fala em luta, Curitiba é referência por já ter revelado nomes importantes em diversos estilos e categorias, como Anderson Silva, Wanderlei Silva e Maurício Shogun. As academias estavam fechadas desde 19 de março por determinação da prefeitura.

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Em abril, em um movimento nas redes sociais, os principais líderes das equipes de luta de Curitiba ressaltaram a importância da reabertura das academias, ressaltando na campanha que elas estavam “preparadas e estruturadas para atender a todos”. E também considerando que o exercício físico seria um serviço essencial como qualquer outro.

Agora reabertas, as adequações sanitárias são rígidas. “Voltaram naquelas medidas de uso de máscaras, álcool gel, áreas demarcadas no tatame para respeitar o distanciamento social. Vários equipamentos de musculação, por exemplo, foram interditados, bebedouros interditados e vestiários também”, disse Rudimar Fedrigo, fundador da Chute Boxe.

Rudimar tem visitado diversas academias em Curitiba para acompanhar o retorno na bandeira amarela. “O retorno dos alunos ainda não se encontra na fase normal. Há matrículas novas, mas é uma pena terem fechado, na época, as academias. A atividade física também é um forte aliado contra o coronavírus. Isso está provado cientificamente”, defendeu Rudimar.

As marcações mencionadas no tatame, onde os alunos fazem a atividade entre si, geralmente têm sido de 1,5 metro. “É obrigatório usar esse espaço. No muay thai, taekwondo, essas outras lutas, eles treinam nessas áreas delimitadas”, explica Rudimar. Na modalidade de jiu jitsu, ainda é possível utilizar a opção de treino com bonecos.

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Já os lutadores profissionais e os amadores de alto nível têm seguido com os treinos em Curitiba e não chegaram a parar por causa da pandemia. Segundo André Dida, da Evolução Thai Brasil, a opção foi fechar a academia para alunos pagantes e trabalhar com atletas que estão em isolamento social, no alojamento. “Não reabri para o público. Quem está fazendo quarentena nos alojamentos está treinando”, explicou.

Dida disse que optou por esse formato porque entende que o decreto municipal da pandemia não ficou bem claro. “Não é exatamente específico do que se deve fazer. E como 99% dos treinos na academia é com atletas, ainda não tenho expectativa de abrir para alunos pagantes”, finalizou.