A Polícia Federal (PF) concluiu a investigação que apurou um esquema de fraudes em dezenas de postos de combustíveis de Curitiba e da Região Metropolitana (RMC). O inquérito é um desdobramento da Operação Tank e confirmou a atuação de uma organização criminosa que controlava uma rede de postos usada para enganar consumidores e movimentar dinheiro ilegal.
Conforme divulgado nesta sexta-feira (23/01) pela PF, ao final das apurações, oito pessoas foram indiciadas. De acordo com a investigação, elas faziam parte do núcleo de comando do esquema, responsável pela gestão e pelas decisões estratégicas da rede de postos. Esse grupo era chamado internamente de “Diretoria”.
Como funcionavam as fraudes nos postos de combustíveis em Curitiba e região
Investigações e perícias realizadas em 50 postos comprovaram duas principais formas de golpe contra os consumidores.
- A primeira é conhecida como “bomba baixa”. Os postos usavam um sistema eletrônico que permitia reduzir, à distância, a quantidade de combustível entregue ao cliente, mesmo que o visor da bomba mostrasse o volume correto. Em alguns casos, a diferença chegou a 8,3% a menos, índice muito acima do permitido por lei.
- A segunda fraude era a adulteração da gasolina. Análises laboratoriais apontaram que alguns postos vendiam gasolina com até 79% de etanol, quando o limite legal é de 27%. Além de ser crime, essa prática pode causar danos aos veículos e aumenta o lucro ilegal dos responsáveis.
Crimes e penas dos indiciados por esquema de fraude
Os investigados foram indiciados por crimes contra a Ordem Econômica (Lei 8.176/91), pela compra e venda de combustíveis fora das regras legais, e por estelionato (Art. 171 do Código Penal), por enganar consumidores com o uso da bomba adulterada. Segundo a PF, as práticas se repetiram pelo menos 21 vezes.
Somadas, as penas previstas podem chegar a até 40 anos de prisão para cada integrante do grupo.
Grupo tinha ligação com lavagem de dinheiro
A investigação também revelou que as fraudes nos postos abasteciam um esquema maior de lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado. O dinheiro obtido com os golpes era reinvestido em uma estrutura financeira que movimentou bilhões de reais, com uso de empresas de fachada e pessoas usadas como “laranjas” para esconder a origem ilegal dos recursos.
A PF não divulgou os nomes dos envolvidos.
