A reclamação de ônibus e terminais lotados junto com os atrasos, seguem preocupando o usuário do transporte coletivo de Curitiba. Além disto, com o crescimento dos casos de infectados pelo novo coronavírus na cidade e com a ocupação de 85% dos leitos de UTIs SUS exclusivos para covid-19, as pessoas demonstram insegurança no caminho do trabalho ou na volta para casa. Um sentimento de muitos trabalhadores que não podem ficar em suas residências e que enfrentam uma sofrida batalha diária, tendo o medo como companhia.

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A Tribuna do Paraná esteve na manhã desta quarta-feira (17), em três terminais de ônibus. Cabral, Santa Cândida e Boa Vista, localizados na região norte da capital. Nos três, foi fácil perceber que os fiscais da Urbs – empresa responsável pelo transporte público em Curitiba – estão sobrecarregados no trabalho. Além de manter a rotina de fiscalizar os horários das linhas, é preciso ainda orientar os usuários a todo momento. No Santa Cândida, a grande preocupação pelo volume de passageiros está no ligeirão Santa Cândida-Praça do Japão. No horário de pico pela manhã, são 35 ônibus que fazem este trajeto das 6h até 9h.

Na pandemia, o transporte não pode ultrapassar 50% da lotação máxima e para evitar isto, no piso dos terminais agora há uma demarcação exata de posicionamento das pessoas, para evitar aproximação na fila. Ao chegar a 56 passageiros, os fiscais proíbem o acesso para a plataforma de embarque. Quem não entra no espaço, fica aglomerado em uma pequena escada que dá acesso a plataforma.

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

“A gente orienta a pessoas a ficarem distantes, mas é difícil. Falta conscientização em alguns momentos. Sabemos que estão aqui pelo trabalho, mas tem hora que nós somos atacados”, disse um fiscal da Urbs que pediu para não ser identificado. A Guarda Municipal com dois agentes acompanha esta movimentação em todo o terminal.

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Apesar de uma ampla sinalização no chão, no ônibus e avisos para manter os cuidados, os passageiros relatam que o grande problema está no retorno para casa no fim da tarde. Irla Dantas de Souza, 42 anos, auxiliar de cozinha, é moradora do Jardim Osasco, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Para chegar ao trabalho, enfrenta no mínimo uma hora no transporte coletivo e embarca/desembarca em quatro ônibus. Cansada da rotina e com medo de ser infectada pelo covid-19, relata que já viu discussão dentro do ônibus neste período de pandemia.

Irla Souza. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

“Aconteceu na terça-feira (16), pois uma pessoa tocou na outra. Estava cheio o ônibus e é impossível não esbarrar em alguém. Eu tenho muito medo, mas preciso trabalhar. O sentimento quando saio de casa é de dor, pois você sabe que vai ter dificuldade para pegar o ônibus. É muito triste esta realidade”, confessou Irla.

Prejuízo do bolso

O receio de ser infectada em algumas linhas ou terminais alterou a rotina da Michele de Freitas, 26 anos, secretária de uma clínica ortopédica. Moradora de Colombo, ela evita de parar no terminal Maracanã, devido a quantidade de passageiros no local. Por isto, acaba utilizando um carro de aplicativo de carona para seguir direto para o terminal do Santa Cândida. O custo que antes não ocorria, agora chega próximo a R$150 por mês de prejuízo. “Evito o terminal do Maracanã, pois lá é horrível. Gasto mais, mas tenho tranquilidade. Na volta, evito a linha Colombo-CIC no terminal do Cabral”, disse Michele.

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Nesta ronda da reportagem da Tribuna do Paraná pelos terminais, todas as pessoas estavam utilizando máscara de proteção. No entanto, a secretária da clínica ortopédica relatou que isto se altera dentro do ônibus. “Infelizmente, as pessoas não estão se cuidando como deveria. Chegam no ônibus e colocam a máscara no queixo. Eles passam dos fiscais e deixam de usar. É preciso uma maior conscientização”, reforçou Michele.

Michelle de Freitas. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Redução da frota e horário de pico

Como o retorno do funcionamento dos shoppings, o sistema opera com 80% da frota, atingindo 1,5 mil ônibus. Segundo a Urbs, 277 mil pessoas estão utilizando o transporte coletivo. Em alguns casos, a quantidade de ônibus diminuiu em algumas linhas e naturalmente complicou a rotina das pessoas. O vendedor Rodrigo Faré, 40 anos, acredita que é preciso fazer um esforço, por um bem maior que é a prevenção. “É preciso se adaptar a esta situação que é nova para todos. Eu tenho mais dificuldade na volta por exemplo, quando enfrento o terminal do Pinheirinho”, comentou Rodrigo.

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Uma das medidas para evitar terminais ou ônibus cheio é evitar o horário de pico e isto se transformou em preocupação para as autoridades da saúde. Na segunda-feira (15), primeiro dia da bandeira laranja em Curitiba, 59,9 mil pessoas passaram pelo sistema entre 6h e 8h. Já entre 17h e 20h, foram 69,9 mil passageiros. Em entrevista para a RPC, o secretário estadual de saúde, Beto Preto, reforçou que é preciso tentar fugir do grande movimento.

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“Temos o esforço de muitos paranaenses com seus filhos sem aula, mas ao mesmo tempo, as pessoas continuam se aglomerando em horário de pico no transporte, com os ônibus muitas vezes, com o número maior de passageiros que deveria ter”, finalizou Beto Preto.


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