Em plena luz do dia e em frente às câmeras da Muralha Digital de Curitiba. Desde janeiro até esta quarta-feira (25/2), o vereador Da Costa Perdeu Piá (União) já soma mais de 3,5 milhões de visualizações com vídeos que mostram a movimentação do tráfico de drogas na região central de Curitiba.

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No dia 18 de janeiro, um dos registros mostrou que, durante o dia, traficantes comercializavam drogas na Praça Tiradentes. Mesmo com as trocas discretas entre mercadorias, a situação é perceptível entre os frequentadores (veja abaixo). 

Apesar da existência de outras três câmeras na área, os crimes ocorriam fora do campo de visão dos equipamentos. “Justamente por coincidência, que é onde o tráfico acontece, estava desligada”, disse Da Costa em entrevista à Tribuna. O vereador registrou, em uma nova postagem no dia 30, que o equipamento já estava em funcionamento. 

Segundo o parlamentar, a ideia de usar da experiência na polícia e registrar as ocorrências vieram de sugestões enviadas ao gabinete. Ao acompanhar a movimentação por alguns dias no local, ele relatou ter observado a comercialização de entorpecentes. Com a popularidade do conteúdo, continuou a ir atrás das denúncias.

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Centro à mercê do tráfico

Os episódios flagrados por Da Costa não são casos isolados. Em 2025, Curitiba contabilizou 1.711 ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SESP-PR). O Centro lidera os registros, com 212 casos, seguido pela Cidade Industrial e pelo Rebouças

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Em 2025, a Guarda Municipal prendeu 122 pessoas por tráfico. Até fevereiro deste ano, 39 pessoas haviam sido detidas por tráfico, uso ou porte de substâncias ilícitas. Dados da SESP indicam que a maioria das ocorrências ocorreram entre 12h e 18h ao longo do ano passado. A segunda-feira, nesse intervalo, concentra o maior número de atendimentos, com 199 registros.

Para o vereador, o cenário problemático envolve múltiplas frentes. “É tudo um pouco. É segurança pública, é assistência social e é saúde pública também”, afirmou. Ele avalia que parte dos vendedores seria formada por usuários que comercializam drogas para sustentar o próprio consumo. “Hoje quem está ali vendendo é o próprio usuário, porque ele precisa fazer a venda para poder consumir também.” 

O parlamentar também relaciona o tráfico ao aumento da população em situação de rua. “A maioria das pessoas que estão nas ruas em Curitiba está nessa situação de drogadição. Elas acabam recebendo todo o assistencialismo, tanto da Prefeitura quanto do Governo Federal. Então, todo dinheiro que conseguem, acaba consumindo em droga”, opinou o vereador. 

Trabalho conjunto 

Parte dos vídeos divulgados entre janeiro e fevereiro mostra ações realizadas com a Guarda Municipal. Como vereador, ele afirma exercer papel de fiscalização e de encaminhamento das denúncias às forças de segurança. “Eu identifico o problema, exponho e aciono os órgãos competentes. Através dessa exposição, as atitudes acabam sendo tomadas”, disse. Segundo ele, as imagens contribuíram para as prisões.

O comandante da Guarda Municipal, inspetor José Carlos Felipus Costa, que assumiu o cargo em fevereiro, afirmou que a colaboração é válida, mas destacou a necessidade de delimitar as atribuições de cada corporação para a população. “As ações em relação ao tráfico de drogas são investigativas, então é questão policial. Se nós [da GM] começarmos a investigar, estaremos andando à margem da lei. A atuação das Guardas Municipais se dá principalmente em cima do flagrante de delito”, explicou. 

A principal missão da corporação é a prevenção. “Atuamos na ostensividade, na presença física. Quando ocorre um furto ou roubo, é fundamental que a vítima registre boletim de ocorrência, porque é a partir desses dados que a polícia investigativa realiza seu trabalho”, concluiu. 

Segundo Felipus, pessoas em situação de rua são monitoradas, mas não se pode presumir que todas estejam envolvidas em crimes. “Geralmente os cidadãos confundem pessoas em situação de rua com criminosos. Nem sempre isso acontece. Mas existem criminosos infiltrados nesses grupos, e nossa ação visa identificar essas situações.” 

A relação entre as forças, segundo o comandante, é de cooperação, com troca de informações de inteligência. “O nosso relacionamento com os outros órgãos de segurança é excelente. Polícia Civil, Polícia Militar, por vezes a Polícia Rodoviária Federal participam das operações. Compartilhamos pontos estratégicos para não sobrepor esforços”, afirmou.

Na mira da Prefeitura  

Com o início da atual gestão, uma das frentes de atuação é revitalizar o Centro da cidade por meio do programa Curitiba de Volta ao Centro. Em paralelo, há um ano, entrou em vigor a Operação Integrada Centro Seguro, que reúne diferentes corporações para reforçar a segurança na região.

Em 11 fases da operação, foram atendidas 4.302 ocorrências, com 190 prisões e 500 abordagens a suspeitos. Segundo a prefeitura, houve redução de 37,38% nos roubos em comparação com o ano anterior — 67 registros, contra 107 no mesmo período anterior.

Com o apoio do Conecta Muralha, ações de identificação de pessoas ligadas a crimes na capital são realizadas com frequência. Ainda assim, o combate ao tráfico exige atuação contínua e integrada. “O videomonitoramento é uma ferramenta que nos auxilia, porque amplia nossa visão do espaço. Mas os marginais sabem onde está a câmera e procuram pontos cegos”, afirmou o comandante.

Para o novo comandante, que atua a 34 anos na Guarda, a tecnologia precisa estar associada à presença física dos agentes. “Segurança se faz com a presença física do agente na praça, no espaço público.” Entre as novas diretrizes do comando está a ampliação da presença da corporação nas ruas, especialmente na região central.

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