Centro, Jardim Botânico, São Francisco, Batel e Centro Cívico são os bairros mais perigosos de Curitiba se considerada a relação entre os casos de furtos e roubos comunicados à polícia no 1.º semestre de 2019 e a concentração de habitantes nessas localidades. O levantamento feito pela Gazeta do Povo tem como base o cruzamento dos dados sobre os crimes repassados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) e a mais recente estimativa populacional de Curitiba por bairros, de 2018, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

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Juntos, esses cinco bairros concentraram 6.084 das 29.195 situações registradas em Boletins de Ocorrência (BOs) – cerca de 20% do total – em um cenário de crimes que, apesar de ainda preocupante, recuou 18% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Em números absolutos, sem comparar o total de furtos e roubos com a densidade de habitantes, apenas o Centro se repete na lista dos cinco bairros mais perigosos, seguido de Cidade Industrial de Curitiba (CIC); Sítio Cercado, Portão e Cajuru. Com exceção do Centro e do Portão, os demais são justamente os maiores bairros da capital, quase minicidades com, respectivamente, 188.247, 128.695 e 102.643 moradores, e que pelo tamanho tendem, naturalmente, a concentrar mais crimes.

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Por outro lado, os índices relativos e proporcionais a cada mil habitantes deixam de lado as maiores localidades e trazem para mais à vista bairros centrais e nobres, algo não tão destoante considerando a natureza de crimes como furtos e roubos.

“A lógica de quem vai praticar um ato infracional é ir atrás exatamente, do ponto de vista material, nos bairros onde existe uma classe que tenha condições de oferecer isso que está sendo procurado”, analisa o professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e cientista político especialista em segurança pública Cezar Bueno de Lima. “É evidente que os dados mostrem um histórico de que os bairros mais pobres são mais violentos e, portanto, os crimes acontecem mais lá. Mas isso também é um estigma em relação a esses bairros. Talvez é preciso considerar também que a ronda da polícia seja mais intensa nesses bairros”, pondera o docente.

Delegado licenciado da Polícia Civil, o secretário de Defesa Social e Trânsito de Curitiba, Guilherme Rangel, entende que a própria dinâmica da cidade contribui para um adensamento de infrações em áreas centrais. Segundo ele, ainda que tenha que se considerar os atendimentos policiais em regiões mais afastadas, é preciso levar em conta que a própria distribuição dos serviços ajuda a tornar bairros mais centrais um “chamariz” para criminosos.

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“Curitiba tem uma população normal de 2 milhões de habitantes, mas flutuantes chega a quase 3 milhões. Então isso pesa principalmente nas aéreas centrais, onde tem bastante parque, praça, comércio, rede bancária. O Centro tem essa peculiaridade. E do Centro para o Centro Cívico, por exemplo, é uma distância muito pequena”, avalia.

Menos crimes

Procurada, a Sesp não respondeu aos questionamentos específicos feitos a partir da metodologia adotada para a reportagem. Mas, em nota, a pasta ressaltou a redução de crimes em todos os bairros citados – o que consta no relatório divulgado pela secretaria no início deste mês.

Conforme o levantamento, somando furtos e roubos, o Centro teve uma redução de 15% em furtos e roubos. Mais expressivos, Jardim Botânico e Centro Cívico tiveram queda de, respectivamente, 39% e 23%, enquanto São Francisco e Batel mostraram 22% e 7% a menos.

Em nota, a secretaria pontuou ainda que a Polícia Militar “realiza constantemente o patrulhamento preventivo e ostensivo em todos os bairros da capital, empregando viaturas, motos e módulos móveis, além do capital humano, com a intenção de sempre oferecer melhor proteção ao cidadão”.

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Sobre o trabalho da Polícia Civil, a pasta destacou também que o órgão é “responsável pela investigação e solução dos casos e, somente neste ano, já elucidou 57% dos homicídios registrados na capital”.

Já a Guarda Municipal destaca o aumento do efetivo e o método de trabalho adotado pelo órgão como fatores inibidores dos crimes na cidade. “Nós trabalhamos com duas frentes. A gente pega a questão da inteligência para otimizar o trabalho, colocar o guarda municipal no local adequado, e a integração com outras instituições policiais. A ideia é mostrar o poder para não utilizá-lo”, explicou Rangel.

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