Para esclarecer as mortes de Paulo Cezar Lopes da Cunha e de Rafael Barbosa, executados e esquartejados pela quadrilha comandada por Hirosshe de Assis Eda – morto em confronto com a polícia na semana passada -, a Delegacia de Homicídios fez a reconstituição dos esquartejamentos na tarde de ontem.

Os crimes foram praticados no apartamento do estudante de Direito José Cid Campelo Neto, na Rua Comendador Fontana, quase esquina com a Avenida Cândido de Abreu, Centro Cívico.

Paola Aparecida Miguel, 20 anos, namorada de Hirosshe, confessou a participação nos homicídios. A polícia já sabe que as mortes de quatro travestis e de uma prostituta foram praticados pelo grupo, motivado pelo tráfico de drogas.

Segundo o delegado Hamilton da Paz, apesar da aparência frágil, Paola se mostrou fria e perigosa. Ela foi presa na noite de segunda-feira, junto com Daniela Lemos de Souza, 27, Vanderval Almeida Correia, 62, e Leonacel Itamar Monteiro, 24. Na sexta, feira passada, já havia sido presa Jussara do Rocio Babiz Gonçalves.

Crueldade

A perita Jussara, do Instituto de Criminalística, disse que Paola descreveu com detalhes a morte de Rafael, encontrado em vários sacos plásticos, no Botiatuvinha.

“Ela disse que, junto com Hirosshe, bateu muito na vítima com uma barra de ferro. Quando o rapaz estava morto, eles saíram para comprar novas facas e sacos”, explicou. “O único motivo do esquartejamento era para facilitar o transporte do corpo.” Paola contou à polícia que queria, em um dos sacos, somente a cabeça. “Além de matar e esquartejar, arrancaram o couro cabeludo da vítima”, disse a perita.

Estudante

O delegado Hamilton da Paz disse que o estudante Campelo Neto teria uma dívida com Hirosshe. “Ele é o dono do apartamento e o alugava para o traficante, por R$ 300 em crack. Porém, quanto aos homicídios, não podemos atribuir nada a ele”, afirmou. Campelo Neto negou participação nos crimes e foi liberado, mas poderá ser indiciado por favorecimento ao crime e associação ao tráfico de drogas.