Apesar de ter sido integrado ao programa Amigo dos Rios em 2019, o trecho do Rio Uvu em Santa Felicidade revela hoje um cenário que contrasta com os objetivos da iniciativa. No Bosque Recanto de Itália, próximo ao Conjunto Veneza e ao Bosque São Cristóvão, o curso d’água evidencia sinais de degradação ambiental, com perda de biodiversidade e comprometimento da contenção das margens.
O histórico de intervenções na área é antigo, relatado aqui na Tribuna em 2012. As primeiras ações de despoluição começaram em 2008, quando a Prefeitura de Curitiba articulou um projeto que envolvia universitários e estudantes da rede municipal em atividades de recuperação do rio. Mais de uma década depois, em 2019, o trecho passou a integrar oficialmente o programa Amigo dos Rios.
À época, os resultados foram perceptíveis. Integrante da Associação de Moradores e Amigos do Conjunto Veneza (Amave) e hoje presidente, Regina Saraceni recorda que, logo após as intervenções, espécies de peixes e insetos nativos voltaram a ser observadas no leito do rio. O cenário atual, porém, indica retrocesso. “O projeto caiu no esquecimento”, resume.
Desde agosto de 2025, moradores relatam a presença recorrente de espuma na água. Em dezembro, a reportagem da Tribuna do Paraná esteve no local e também constatou o problema, ainda que em menor intensidade. Veja abaixo.
Dentro do bosque, parte das margens do Rio Uvu é protegida por um gabião instalado próximo à área da praça. A estrutura, no entanto, apresenta danos visíveis. Um dos trechos cedeu e acabou sendo engolido pelo leito do rio. Nos demais pontos, a contenção depende exclusivamente da vegetação.
Árvores inclinadas em direção ao curso d’água indicam avanço do processo de erosão e reforçam a percepção de ausência de manutenção preventiva. Entre as queixas mais recorrentes da comunidade estão o acúmulo de lixo e a poluição transportada pela correnteza. O desequilíbrio ambiental também tem favorecido a proliferação dos chamados “borrachudos”, insetos associados a ambientes degradados e à piora da qualidade da água.




Rio passou por intervenções recentes
O Rio Uvu é frequentemente confundido com o Rio Cascatinha devido à proximidade entre os trechos. Ele é um dos afluentes da margem direita do Rio Barigui. A nascente fica no bairro São Braz, e o curso segue em direção ao Rio Iguaçu.
Em 2022, mais de 2 mil notificações por irregularidades relacionadas à coleta de esgoto foram registradas pela Prefeitura de Curitiba e pela Sanepar na bacia do rio. O volume de ocorrências motivou novas ações de intervenção.
Entre os problemas mais comuns identificados estavam a ausência ou a falta de manutenção de caixas de gordura e a ligação indevida da água da chuva à rede de esgoto. O principal desafio, no entanto, era a existência de imóveis não interligados ao sistema, que despejam esgoto diretamente no rio.
No ano seguinte, novas ações de despoluição foram realizadas em parceria com moradores da região. Os esforços, porém, tiveram efeito limitado, e os episódios de poluição voltaram a se repetir.
E aí, prefeitura! Cadê a solução definitiva?
Após o contato da reportagem, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) realizou uma vistoria no local no dia 18 de dezembro. Na ocasião, foi constatado um ponto de obstrução no cruzamento da Rua José Tomasi com a Rua João Parize. A Sanepar já havia sido notificada sobre o problema. Moradores também relataram que técnicos realizaram a limpeza no bosque e aplicaram produtos para conter a proliferação de borrachudos.
Em nota, a SMMA informou que mantém o programa Amigo dos Rios em funcionamento contínuo, com monitoramento dos rios e córregos da cidade e ações de limpeza. Segundo a secretaria, os trabalhos incluem a remoção de materiais vegetais e de resíduos descartados irregularmente, como sofás, fogões e colchões.
A Sanepar, responsável pelo projeto, informou que realiza monitoramento contínuo por meio do Programa de Revitalização de Rios Urbanos (PRRU). O acompanhamento do Oxigênio Dissolvido (DO) é feito desde 2011, em parceria com a Prefeitura de Curitiba e com a comunidade. Segundo a companhia, o trabalho permanente inclui ações socioeducativas, monitoramento compartilhado, medidas corretivas e manutenção dos locais em questão.
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