A Prefeitura de Curitiba começou a testar uma alternativa diferente para conter o desbarrancamento nas margens dos rios da capital. O projeto-piloto usa a chamada hidrossemeadura — um tipo de plantio que aplica sementes, água, fertilizantes e matéria orgânica por meio de um jato de alta pressão. A ideia é fazer com que a vegetação cresça rápido, formando uma “trava” natural com as raízes e impedindo que a terra deslize para a água quando chove forte.
A aplicação da mistura verde foi feita nesta semana em uma extensão de 200 metros no Rio Vila Formosa, no bairro Fazendinha, bem perto da junção com o Rio Barigui. A região foi escolhida para passar pela avaliação das equipes do Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), que vão acompanhar os resultados nos próximos meses.
Diferentemente do gramado comum, a sementeira utiliza tipos de gramíneas selecionados justamente por criarem raízes profundas, que podem alcançar entre dois e cinco metros abaixo do solo. Com essa estrutura subterrânea reforçada, a margem ganha firmeza e resiste melhor à força da correnteza e à erosão.
O principal ganho com a medida é aumentar a durabilidade das limpezas e desassoreamentos que a Prefeitura realiza na cidade. Desde o começo do ano passado, mais de 106 quilômetros de rios em Curitiba passaram por manutenção. Se a vegetação conseguir segurar o solo no lugar, menos terra cairá no leito do rio, evitando que ele fique raso de forma rápida e ajudando a prevenir alagamentos.
As sementes devem começar a brotar nos próximos 15 dias, mas a estimativa é que em até três meses a cobertura vegetal esteja consolidada no local. Caso o teste no Fazendinha traga a resposta esperada, a administração municipal estuda levar a hidrossemeadura para outros córregos e rios da capital.
