Se a reunião de domingo (17) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar o uso emergencial das vacinas Coronavac e Oxford/Astrazeneca, a prefeitura de Curitiba acredita que poderá imunizar da covid-19 todos os profissionais de saúde, idosos internados em asilos e seus cuidadores, além de indígenas da cidade já na primeira leva de doses a serem enviadas pelo Ministério da Saúde.

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Esse público prioritário soma aproximadamente 60.150 pessoas: 55 mil profissionais de saúde, 2,5 mil idosos e 2,5 mil cuidadores de 148 instituições de longa permanência, mais os 150 índios que vivem na única aldeia da capital, no bairro Tatuquara.

A secretária municipal de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, afirma que só faltam as doses para o início da vacinação. O município já tem estoque de seringas e agulhas e traçou o plano de imunização com definição de locais. “Se vacina chegasse hoje, a gente já poderia começar a vacinar amanhã”, reforça a secretária. “Estamos muito esperançosos com essa reunião domingo. Tenho certeza que a Astrazeneca, da Fiocruz, e a Coronavac, do Butantan, vão ser liberadas. As duas vacinas são eficazes e vão salvar vidas”, reforça Márcia.

O Brasil conta hoje com 8 milhões de doses para iniciar a vacinação em todos os estados. São 6 milhões da Coronavac importadas da China pelo Instituto Butantan, de São Paulo, que já fez pedido à Anvisa para acrescentar a sua própria produção ao uso emergencial. Os outros 2 milhões de doses são da Oxford/Astrazeneca importadas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do governo federal. Nesta quarta-feia (13), o Ministério da Saúde vai enviar quinta-feira (14) um avião a Mumbai para buscar as doses indianas da Oxford/Astrazeneca produzidas no Instituto Serun. O avião com as doses deve chegar sábado (16), na véspera da liberação das vacinas.

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Entretanto, se a Anvisa não liberar a Coronavac, que é a maior parte da imunização disponível, a secretária de Saúde de Curitiba acredita que a capacidade de imunização na primeira leva da vacina será bem menor. “Se isso acontecer, teremos que priorizar os profissionais de saúde que atuam diretamente na Covid-19, que somam aproximadamente 18 mil profissionais”, avalia. “Dar prioridade a essas equipes é proteger a sociedade, já que são eles que cuidam dos pacientes com coronavírus e não têm opção de isolamento social. Eles não têm como fazer home office”, argumenta Márcia.

Aquisição própria

Em dezembro, o prefeito Rafael Greca (DEM) anunciou acordo com o Instituto Butantan para adquirir doses da Coronavac fora do Plano Nacional de Imunização (PIN) do Ministério da Saúde. Entretanto, como o ministério absorveu toda a produção do Butantan para distribuir aos estados dentro do PNI, o acordo agora está parado.

O município tinha R$ 4 milhões para investir na compra da vacina. Curitiba foi uma das primeiras prefeituras a anunciar a aquisição de imunizantes da covid-19 fora do PNI. Além da capital, outras cidades paranaense já encaminharam intenção de compra ao Butatan, entre elas Maringá, Ponta Grossa, Londrina, Cascavel, São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu e Colombo, além do Consórcio Metropolitano de Saúde do Paraná (Comesp), que representa 28 municípios da região metropolitana de Curitiba.