O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, assinou nesta quarta-feira (22/04) o decreto que cria a Patrulha da Vida e da Saúde. O novo projeto une a Guarda Municipal (GM) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em um trabalho de duas frentes: o combate a clínicas clandestinas de aborto e a proteção de profissionais de saúde contra agressões.
Durante o anúncio, feito no Palácio 29 de Março, foi exibido um vídeo institucional explicando o objetivo da patrulha. Iniciando com um bebê em fase gestacional, o conteúdo defendeu o cuidado com a vida. Pimentel reforçou a mensagem: “Nosso objetivo principal é salvar vidas, proteger a mãe e salvar a criança. Somos uma capital pró-vida”, afirmou o prefeito, que estava acompanhado na mesa pelos secretários Rafael Vianna e Tatiane Filipak, pela vereadora Rafaela Lupion, além de dois padres e um bispo evangélico.
No discurso, Pimentel pediu ajuda às lideranças religiosas para divulgar a patrulha e “extinguir” a prática de abortos clandestinos na cidade.
Apesar da ênfase do evento nesse tipo de estabelecimento, Curitiba não registrou nenhuma denúncia ou ocorrência de clínicas de aborto clandestinas em 2025 e 2026, segundo dados da Vigilância Sanitária.
Já o outro objetivo da patrulha, que foca na violência em unidades de saúde, é um problema registrado em Curitiba. Em 2025, foram 42 casos denunciados envolvendo trabalhadores da SMS e da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas). Até a primeira quinzena de abril de 2026, o número é de 14 ocorrências. Esses casos envolvem agressões contra profissionais da saúde que atuam no município, como médicos e enfermeiros.
Como vai funcionar a Patrulha da Vida e da Saúde
Para colocar o trabalho em prática, quatro agentes da GM serão deslocados para atuar diretamente dentro da Secretaria de Saúde. O objetivo é dar mais agilidade ao atendimento de ocorrências em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e no Hospital do Idoso.
“Os agentes vão acionar a viatura mais próxima da área de atendimento. Vai funcionar nos moldes da Patrulha Maria da Penha”, explicou Pimentel.
De acordo com o prefeito, o combate ao aborto clandestino acontecerá por meio de denúncias feitas pela população e também pela fiscalização da Vigilância Sanitária em conjunto com a GM. Já no cuidado com os profissionais de saúde, a patrulha vai acompanhar qualquer situação de ameaça.
Reorganização do trabalho da Guarda Municipal
O secretário de Defesa Social, Rafael Vianna, explicou que a patrulha não traz novas atribuições à GM, mas uma “reorganização para maior eficiência”. Segundo ele, foram selecionados guardas que já possuem afinidade ou formação na área da saúde para um treinamento especializado.
“Temos agora pessoas que vão centralizar as informações relativas a essa área e fazer os treinamentos adequados, especializando-se e conseguindo distribuir o efetivo de forma mais inteligente”, afirmou Vianna, destacando que os agentes atuarão em “análises de vulnerabilidades” e apoio à Vigilância Sanitária.
Vianna também destacou que a criação de patrulhas é uma metodologia de trabalho adotada na área da segurança pública para entregar resultados mais efetivos e facilitar a integração com as outras secretarias.
“Na Patrulha da Vida e da Saúde, vamos ter guardas municipais como pontos focais de questões de segurança relacionadas à saúde. Vamos fazer uma análise das vulnerabilidades que existem no atendimento nas unidades de saúde, realizar treinamentos com os profissionais e identificar os pontos que exigem mais atenção da guarda.”
Cuidar de quem cuida
A secretária de Saúde, Tatiane Filipak, destacou que a Vigilância Sanitária e a GM já atuam em conjunto em outras frentes, como na Operação Checkout, que consiste em fiscalizar estabelecimentos comerciais e hotéis no Centro de Curitiba.
Na visão da secretária, a nova patrulha cuidará de “quem cuida”. “O profissional de saúde está muito atento à assistência. A Guarda Municipal vai atuar no combate ao ambiente hostil e nos pontos vulneráveis de segurança, para nos ajudar a ter um ambiente seguro.”
Denúncias
A criação da Patrulha da Vida e da Saúde também reforça a possibilidade de a população fazer denúncias de clínicas clandestinas e de violência contra profissionais pelo canal 156, da Prefeitura de Curitiba.



