Curitiba passou da quarta para a primeira posição entre as capitais brasileiras com melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente aos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano). Com crescimento de 0,6 ponto e nota 6,9 nessa etapa, a capital paranaense empatou com Teresina (PI) na liderança, conforme dados divulgados na quarta-feira (6) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Embora as duas capitais tenham alcançado a mesma nota no Ideb, Curitiba registrou maior desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), exame que avalia conhecimentos em língua portuguesa e matemática e é um dos componentes do índice. A capital obteve 6,91 pontos, contra 6,89 de Teresina. Como o Ideb divulga os resultados com uma casa decimal, ambas aparecem com nota 6,9.
Segundo levantamento encaminhado pela Secretaria Municipal da Educação, também houve destaque entre as escolas municipais das capitais. Quatro delas aparecem entre as dez com melhores notas das capitais brasileiras: as escolas municipais João Macedo Filho, no bairro Uberaba (com 8,2 pontos); Desembargador Marçal Justen (8,1), no Água Verde; Cerro Azul (8,0), no Tingui; e Jardim Santo Inácio (8,0), no Santo Inácio.
Curitiba tem 22 escolas entre as maiores notas
A capital foi a que mais reuniu escolas no top 100, com 22 escolas entre as 100 maiores notas e nenhuma entre as 100 menores. Em seguida veio o Rio de Janeiro (RJ), com 20 entre as maiores e oito entre as menores; e Manaus (AM), com 20 e duas, respectivamente.
À Tribuna do Paraná, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) definiu o resultado como “o reconhecimento mais importante de sua gestão até agora”. Pimentel destacou como decisivos para a melhora do índice as aulas de reforço de português e matemática para alunos do Ensino Fundamental, o incentivo à leitura entre as crianças por meio de projetos municipais e o fortalecimento do ensino integral na capital.
Segundo ele, eventuais boas práticas identificadas nas escolas que figuram entre as 100 melhores no recorte municipal podem inspirar iniciativas replicadas no restante das unidades. “Essas boas ideias às vezes saem de uma ação, de uma iniciativa de um professor ou de uma diretora. Estamos monitorando não só as primeiras colocadas, mas quem desenvolveu um grande salto de performance de uma edição para outra, para cada vez mais padronizar o nosso ensino com o que dá certo”, contou.
Para o secretário municipal da Educação, Paulo Afonso Schmidt, o resultado no Ideb 2025 representou também a superação de um quadro desafiador no contexto da pandemia de Covid-19. “O penúltimo resultado (em 2023) diz respeito principalmente aos efeitos que a pandemia trouxe na aprendizagem dos nossos alunos. Curitiba teve uma queda nos resultados que nos fez reavaliar a sistemática que vinha sendo adotada”, conta.
Ele lista as aulas de reforço, realizadas em horários estendidos em relação à jornada escolar, investimentos em um processo de avaliação do desempenho das crianças, com a criação da Prova Curitiba — que engloba as disciplinas de Português, Matemática e Ciências —, e a adesão à Prova Paraná Mais, do governo estadual.
Para o próximo ciclo do Ideb, Schmidt afirma que a gestão quer aprimorar mecanismos de gestão da informação sobre os processos de aprendizagem dos alunos. “Nós hoje temos condições de monitorar a situação de aprendizagem de cada aluno individualmente. É um conjunto de informações preciosas que nós temos para que possamos organizar toda a atividade em torno desse aluno e adotar medidas para que esse resultado da aprendizagem dessas crianças seja o mais consistente possível”, diz.
Curitiba não lidera no Ensino Médio
O desempenho de liderança da capital paranaense, porém, não se repete nas etapas seguintes da educação básica. Se nos anos finais do Ensino Fundamental Curitiba aparece entre as capitais mais bem colocadas do país no recorte da rede municipal, no recorte que considera o ensino ofertado pela rede estadual, a capital registrou Ideb de 5,7 em 2025 — um avanço em relação aos 5,4 registrados em 2023. No Ensino Médio, também sob responsabilidade majoritária da rede estadual, Curitiba alcançou 5,1, acima dos 4,9 registrados em 2023 e equivalente à média paranaense.
Contudo, esses resultados não deixam Curitiba entre os municípios com as maiores notas do estado, como Joaquim Távora (6,4 pontos no Ensino Médio) e Grandes Rios (7,5 nos anos finais do Fundamental), mas a comparação entre municípios de diferentes portes deve ser feita com cautela. Nas 153 escolas estaduais que abriga, Curitiba atende 128.907 estudantes, segundo dados do portal Consulta Escolas, da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Joaquim Távora tem quatro escolas, com um total de 1.197 alunos matriculados, enquanto em Grandes Rios são 693, que frequentam três escolas.
O secretário da Educação do Paraná (Seed-PR), Roni Miranda, reconhece que os resultados de Curitiba no Ideb são “desafiadores”, mas comemorou os pontos de crescimento da cidade na categoria estadual. “É o nosso maior (Núcleo) Regional de Educação e nele nós temos colégios como o Colégio Estadual do Paraná (CEP), que tem 4.500 alunos, e tem escola que tem 300. A dificuldade aumenta quando aumenta muito o número de pessoas, de estudantes, de professores, são centenas de diretores para dialogar e cada um com um pensamento, com uma pretensão. Então Curitiba trouxe um resultado muito bom”, avalia.
Ele cita o grau de urbanização da capital, que pode ser um obstáculo para o envolvimento das famílias com a educação de seus filhos. “Os pais saem às 5h, 6h da manhã e voltam 6h, 7h da noite. É diferente de uma cidade do interior em que a presença da família é muito próxima. É o que nós temos buscado, trazer a família mais próxima das escolas”, conta.
Entre as medidas da gestão às quais atribui o crescimento de Curitiba e do Paraná, que lidera hoje entre os estados brasileiros com o melhor Ideb, ele lista a padronização da matriz curricular e do material didático nas escolas do estado; investimento em aulas de reforço de português e matemática e um modelo de formação continuada ministrado por professores da própria rede, com foco em metodologias de ensino e estratégias para melhorar a aprendizagem em sala de aula.
