Curitiba é a segunda cidade com a gasolina comum mais cara do Paraná. É o que aponta o levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizado entre 24 e 30 de maio de 2026. Políticas de preços das distribuidoras e o alto custo imobiliário local impulsionam o valor nas bombas.

continua após a publicidade

Segundo os dados oficiais da ANP, o preço médio do combustível comum na capital paranaense ficou em R$ 6,95 por litro. O valor está R$ 0,75 abaixo de Boa Vista (RR), que lidera o ranking nacional com média de R$ 7,70. No cenário do país, Curitiba ocupa a sétima posição entre as capitais.

Em âmbito estadual, a capital só perde para o município de Castro. Para consolidar o ranking, a agência reguladora pesquisou os preços praticados por 33 postos em Curitiba e 263 em todo o território paranaense.

Margem das distribuidoras e custos locais elevam o valor nas bombas

No início da cadeia, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) informa que o custo de produção e a importação respondem por 61% do preço final da gasolina.

continua após a publicidade

Os tributos (PIS/Cofins e ICMS) somam 16%, enquanto a mistura obrigatória de biocombustíveis representa 10%. A margem de distribuição e revenda divide os 13% restantes do valor cobrado do consumidor.

O Sindicom destacou que o país realiza cerca de 200 mil abastecimentos por hora, o que exige uma logística complexa de armazenagem. A necessidade de importação também pressiona os custos, respondendo por cerca de 30% do consumo nacional de diesel, que afeta o frete.

Aluguel alto e inflação encarecem combustível na capital, afirma Paranapetro

continua após a publicidade

Já o Paranapetro, sindicato que representa os postos de combustíveis, argumenta que o comércio varejista é o elo mais cobrado por estar em contato direto com as ruas. “Posto não pode comprar gasolina ou diesel direto de refinaria ou importador. É obrigado a comprar das distribuidoras”, enfatiza o sindicato.

Sobre a disparidade regional, o Paranapetro defende ainda que a distância da refinaria não é o principal fator para a diferença de valores. A entidade argumenta que as próprias companhias distribuidoras praticam preços diferentes para cada cidade, bairro ou região.

O sindicato dos postos aponta também que custos locais como aluguéis elevados em Curitiba e taxas impactam o preço final ao consumidor. O tamanho das equipes de funcionários, os encargos sociais e os gastos com segurança privada completam a lista de fatores que encarecem o litro na bomba, reforça a entidade.

Como é definido o preço da gasolina em Curitiba?

Por meio de nota oficial, a ANP informa que não interfere na definição dos preços. “Por lei, os preços são feitos pelo mercado, pelos agentes que nele atuam, como as refinarias, usinas, distribuidoras e postos de combustíveis”, esclarece o órgão federal.

A liberdade de mercado também limita a atuação dos órgãos de defesa do consumidor na fiscalização dos valores praticados. Sem um teto estipulado em lei, a fiscalização se concentra na clareza das informações repassadas aos motoristas.

“Como o mercado e os preços são livres, o Procon não pode interferir na questão da precificação. Nós ficamos limitados pelo que prevê a legislação”, explica coordenadora do Procon-PR, Claudia Silvano.

Ela também ressalta que o principal desafio atual do setor é garantir o equilíbrio através da transparência. Para Claudia, os estabelecimentos que oferecem descontos via aplicativo precisam detalhar o valor real na bomba de forma ostensiva.