Todo ano começa do mesmo jeito: IPTU, IPVA, material escolar e, em alguns casos, gastos com viagens. Mesmo com o 13º salário pago em dezembro, nem sempre é possível se organizar para quitar tudo logo no início do calendário. Para muitas famílias, janeiro chega como um verdadeiro teste de resistência financeira.

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A concentração de despesas nos primeiros meses pesa, sobretudo, no orçamento de quem vive com renda média. No Paraná, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em novembro do ano passado, o rendimento médio mensal era de cerca de R$ 3.881, valor que rapidamente se dilui diante das contas acumuladas.

De acordo com o Head Regional da XP Inc no Paraná, Marcelo Pedroso, o impacto pode ser expressivo. “Quando esses gastos são pagos todos no mesmo mês, para quem recebe de dois a três salários mínimos, o comprometimento pode variar de 20% a 50% da renda mensal”, afirma em entrevista à Tribuna. O efeito é imediato e, muitas vezes, difícil de reverter no curto prazo. 

Entre os vilões do começo do ano, o material escolar costuma surpreender. As listas exigidas pelas escolas nem sempre cabem no bolso das famílias. Ainda assim, há espaço para reduzir custos. “A principal dica é fazer várias cotações, em lojas diferentes e até em bairros distintos”, orienta Pedroso. Segundo ele, uma mesma lista pode apresentar variações de preço entre 50% e 70%, dependendo do local da compra. 

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No caso dos tributos, como IPTU e IPVA, a atenção deve estar redobrada aos canais oficiais. “É fundamental acessar os sites das prefeituras e verificar se existem programas de isenção ou descontos”, explica Pedroso. Em muitos municípios, como Curitiba, os benefícios estão ligados ao pagamento antecipado ou ao perfil de renda do contribuinte. 

Dá para investir mesmo com dívidas?

Embora 2026 ainda comece no aperto para muita gente, é possível planejar os próximos meses e encerrar o ano de forma mais equilibrada. Para isso, o especialista defende uma mudança de postura ao longo do calendário. “Quem quer fazer diferente precisa começar a construir uma reserva financeira”, afirma.

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O primeiro passo é se livrar das dívidas mais caras, especialmente as do cartão de crédito e do cheque especial. Depois disso, entra a busca por alternativas para reforçar o orçamento. Empreender para gerar renda extra ou aprender sobre investimentos são caminhos possíveis para quem quer sair do ciclo de aperto. 

Poupar parte da renda ainda é a forma mais simples de começar. “A orientação é tentar separar cerca de 20% do salário”, diz Pedroso. Na prática, essa meta ainda está distante da realidade de muitos brasileiros. Por isso, o planejamento precisa ser gradual e usar os investimentos a favor do orçamento, mesmo com valores menores. 

Por onde começar a investir?

De acordo com o especialista, o primeiro passo é entender o básico. Saber o que é poupança, taxa Selic, CDB, CDI e Tesouro Direto. Também é importante compreender a diferença entre renda fixa e renda variável antes de tomar qualquer decisão.

Para quem está começando, a poupança não é a alternativa mais indicada. “Com a Selic em torno de 15% ao ano, a poupança rende cerca de 0,5% ao mês mais TR”, explica Pedroso. Segundo ele, esse retorno gera um ganho real baixo quando se considera a inflação. 

Nesse cenário, produtos simples e mais rentáveis tendem a ser mais eficientes. É o caso das chamadas “caixinhas” ou “porquinhos” oferecidos por bancos digitais, além de CDBs e fundos de renda fixa que acompanham cerca de 100% da Selic. 

Em um exemplo prático, um aporte único de R$ 500 aplicado por seis meses na poupança, com rendimento médio de 0,5% ao mês, geraria um ganho aproximado de R$ 15 a R$ 16 no período. O valor final ficaria pouco acima de R$ 515. Já um investimento atrelado à Selic, com rendimento médio de 1,17% ao mês, poderia render entre R$ 35 e R$ 40 no mesmo intervalo. Nesse caso, o montante final se aproximaria de R$ 540.

No longo prazo, a diferença se torna ainda mais significativa. Em cinco anos, os mesmos R$ 500 aplicados na poupança chegariam a cerca de R$ 675. Em um investimento que acompanhe a Selic, o valor poderia ultrapassar R$ 1.000 no mesmo período, mais que dobrando o rendimento em comparação à caderneta sem considerar impostos ou variações de taxa. 

Pedroso também faz um alerta sobre promessas de ganho fácil. “É preciso ter muito cuidado com influenciadores que prometem rentabilidades fora da realidade do mercado”, diz. A saída, na avaliação do especialista, é buscar orientação profissional. “O assessor de investimentos é certificado, entende o perfil do investidor e ajuda a traçar objetivos realistas”, conclui. 

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