Um bebê nasceu sem sinais vitais e morreu dois dias após o parto ser induzido no Hospital Municipal de Araucária (HMA), na Região Metropolitana de Curitiba. O caso ocorreu entre os dias 10 e 13 de fevereiro. A família alega que houve negligência médica diante da negativa da realização de cesárea e cerca de 25 horas de trabalho de parto. Uma manifestação será realizada em frente à Prefeitura na quinta-feira (18/2).
De acordo com o pai da criança, Genildo Alves, a gestante estava com uma semana de atraso da data provável do parto quando recebeu orientação para aguardar mais alguns dias. Caso o parto não ocorresse de forma espontânea, a equipe iniciaria a indução. Na manhã de terça-feira (11/2), por volta das 7h, o casal deu entrada na unidade hospitalar para o procedimento.
A esposa de Genildo, cuja gestação era considerada de risco, recebeu a medicação para indução às 10h. Ao longo da tarde e da noite, segundo o relato, as dores se intensificaram, sem evolução significativa do trabalho de parto. “Quando eu via que ela estava com muita dor, ela pedia ajuda para mim e eu não podia fazer nada”, afirmou.
Durante a madrugada, a equipe informou que a dilatação havia chegado a nove centímetros e realizou o rompimento da bolsa. “Ela falou que já estava quase, que ia estourar a bolsa na mão mesmo”, disse. O trabalho de parto seguiu durante toda a madrugada e avançou pela manhã, até próximo das 11h.
Em duas ocasiões, Genildo afirma ter solicitado à equipe a realização de uma cesárea. Conforme o relato, a equipe informou que a bebê estava posicionada para o nascimento, embora houvesse suspeita de desalinhamento, o que poderia dificultar a passagem.
A cesárea de emergência foi realizada às 10h50 do dia seguinte. A recém-nascida saiu da sala cirúrgica sem chorar. “Eles fizeram reanimação, ela estava com o batimento bem fraco, a respiração bem fraca. Foi levada de emergência para a UTI, onde ficou dois dias e não resistiu”, contou o pai.
Para a família, o caso é resultado de negligência. “É muito difícil lembrar. Eu vivi isso com ela [a esposa], fiquei 24 horas ao lado dela, vendo todo o sofrimento sem poder fazer nada”, disse.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil do Paraná (PCPR), que deve apurar as circunstâncias da morte.
E aí, Prefeitura de Araucária??
A reportagem solicitou informações à polícia sobre o andamento da investigação e aguarda retorno.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Araucária informou que lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com a família da criança.
“O Hospital Municipal de Araucária é gerido por Organização Social, conforme contrato de gestão vigente. À Secretaria Municipal de Saúde compete a fiscalização e o acompanhamento dos serviços prestados. Diante do ocorrido, a SMSA solicitou formalmente à Organização Social responsável pela gestão do hospital relatório técnico detalhado sobre o atendimento realizado, incluindo análise dos registros em prontuário e dos procedimentos adotados pela equipe assistencial”, diz a nota.
A Secretaria informou ainda que, conforme determina a legislação, todos os óbitos maternos e infantis são submetidos à apuração por comissões técnicas específicas, entre elas:
- Comissão de Revisão de Prontuários
- Comissão de Óbito
- Comissão de Investigação de Óbito Materno e Infantil, conforme protocolos estaduais
“Essas instâncias realizam avaliação criteriosa dos fatos, com base técnica e documental, garantindo a devida apuração. A Secretaria Municipal de Saúde acompanhará integralmente o processo de análise e adotará as providências administrativas cabíveis, caso sejam identificadas inconformidades”, diz a nota.
A família informou que pretende realizar uma manifestação em frente à Prefeitura na quinta-feira (19/2), pedindo esclarecimentos sobre o atendimento.
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