As aulas presenciais estão suspensas em Curitiba pelo menos até o dia 30 de setembro, por causa da pandemia de coronavírus (covid-19), e isso deixa a estudante do 5.º ano do Ensino Fundamental Heloísa de Jesus Maciel dos Santos, de 9 anos, com muita saudade da escola. Esperta e querendo ajudar todo mundo a voltar com segurança para a escola, quando for a hora certa, ela pegou o celular que usa para estudar e mandou por conta própria uma mensagem de áudio para a Tribuna. O áudio pedia para fazermos uma matéria com as ideias da Heloísa de retorno às aulas. Foi tão fofinha a preocupação dela com um assunto tão importante que nós fomos entrevistá-la no Bairro Alto, em Curitiba.

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Para a entrevista, seguimos todos os protocolos sanitários contra o coronavírus. A conversa teve a autorização da mãe dela, a atendente dos Correios Michele de Jesus Maciel, 36 anos, e foi supervisionada por parentes próximos. Fora isso, foi bacana de ver a desenvoltura da estudante. Parecia um bate-papo com gente grande.

Segundo a Michele Maciel, a Heloísa é uma menina super comunicativa e esperta desde pequena. É um orgulho para a família. “É tão esperta que eu nem sabia que ela tinha usado o Whatsapp para falar com o jornal”, revela a mãe. Mas a Michele Maciel diz que ficou feliz porque a ideia foi ajudar as pessoas a se manterem seguras contra o coronavírus. “Ela adora as reportagens de jornal e me disse que ficou feliz com a possibilidade de retorno das aulas. Depois, ficou triste quando veio a notícia de que não iria mais mais voltar. Por isso, resolveu ajudar os jornalistas”, conta.

A Heloísa segue fazendo as aulas online. O celular ela ganhou de uma amiga da mãe e usa para acessar o Youtube e ver o conteúdo. Mas tem Whatsapp e ela não se segura para usar com a família e com a melhor amiga. Ela aproveitou o equipamento para pesquisar telefones dos jornais e tentar contato. Achou o Whatsapp da Tribuna (pelo qual você também pode mandar sugestões de matérias: 41- 9683-9504) e gravou um áudio com ideias de volta às aulas. “Eu tava pensando nisso faz tempo”, conta a menina.

Entre as ideias está o uso de álcool em gel, medição de temperatura e dias alternados para os alunos frequentarem a sala de aula. Até aí, são ações que as reportagens cansam de noticiar. “Mas eu acho que a gente pode convidar enfermeiras para visitar as escolas e cuidar das pessoas”, sugere a Heloísa. É uma novidade e ela contou isso de uma forma bem legal nos áudios enviados. Mereceu uma entrevista.

“Eu gosto de jornal. Gosto de estudar. Mas tenho saudade dos meus amigos, de ir pra escola. Ano que vem, eu mudo de escola e não tô aproveitando. Isso me cansa. O ensino online é legal, mas pra tirar dúvida a gente fala com as paredes. Quando der, quero que as aulas voltem e fique todo mundo seguro contra o coronavírus”, diz a estudante.

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Quando a reportagem chegou na casa dela, a Heloísa já estava de máscara e preparada para dar as dicas. “Você sabe que eu sou criança. Eu quero fazer tudo logo”, explicou ela. Além do texto da matéria, a Tribuna gravou um vídeo e a Heloísa foi super bem. Nem se importou com a câmera do celular. “Você filmou bem?”, quis saber a aluna ao final do bate-papo.

Quando a reportagem chegou na casa dela, a Heloísa já estava de máscara e preparada para dar as dicas. Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná.

Aulas presenciais suspensas

A prefeitura de Curitiba suspendeu as aulas presenciais da rede municipal de ensino no dia 23 de março. O motivo foi a prevenção do contágio das famílias com a chegada da pandemia de coronavírus na capital. Ainda não há data definida para retorno às salas de aula. O conteúdo escolar tem sido transmitido aos alunos pela televisão e pela internet.

No dia 28 de agosto, um novo decreto determinou a prorrogação de prazo de retorno até 30 de setembro. O novo decreto, prorrogando o prazo que venceria no dia 30 de agosto, foi publicado no Diário Oficial. Esta é a sexta prorrogação do prazo. De acordo com o poder público, o cenário epidemiológico não é favorável para o retorno. 

A rede municipal tem cerca de 40 mil crianças e estudantes matriculados em 185 escolas e 230 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), além dos 95 Centros de Educação Infantil (CEIs), que acompanham atividades remotas da Secretaria Municipal da Educação pela TV ou no Canal TV Escola Curitiba no YouTube. As escolas particulares, por sua vez, permanecem fechadas por força de um decreto do governo estadual, que ainda não definiu a data de reabertura.

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