Os hábitos alimentares das pessoas mudaram na pandemia de coronavírus (covid-19) e o tema foi base para uma pesquisa realizada por alunas do 4.º período de Administração da FAE Centro Universitário de Curitiba. O objetivo foi coletar dados sobre os hábitos alimentares durante o isolamento social, para entender se houve piora ou melhora na forma das pessoas se alimentarem. Foram enviados 752 formulários online, na primeira quinzena de maio, para diversos estados do Brasil, e um público composto por 78,6% de mulheres e 21,4% de homens participou das respostas, na faixa etária média de 32 anos de idade e com 97% dos ouvidos aderindo ao isolamento em casa.

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Para surpresa das pesquisadoras Alice Rosa, 19 anos, e Karla Alessandra Ferracini, 28 anos, apenas 28,1% do público-alvo disse manter a alimentação “boa” durante a pandemia. A pesquisa foi orientada pelo professor mestre em Administração Adriano Toledo Pereira, durante um trabalho de classe com tema geral sobre a covid-19.

De acordo com os dados analisados, antes do isolamento, 40,2% do público considerava sua alimentação “boa” e 37,3% a considerava “regular”. Após o início do isolamento, a porcentagem do público que considerava a alimentação “boa” caiu para 28,1%. Já a parte da alimentação considerada “regular” se manteve semelhante, com 38,8% das pessoas. O número surpreendeu a aluna Alice Rosa, que imaginava receber respostas indicando que a alimentação feita em casa pelas pessoas, muitas cozinhando seu próprio alimento, fosse melhorar. “A mim, surpreendeu. Porém, as respostas falam em mudança no horário das refeições, aumento de quantidade na ingestão de alimentos. Isso reflete na percepção das pessoas”, considerou a Alice Rosa.

Dentro do recorte da pesquisa aplicada pelas alunas, há dados sobre a mudança de comportamento na hora das pessoas se alimentarem apontando que 40% dos entrevistados concordam total ou parcialmente que estão se alimentando mais do que antes, ou seja, estão comendo em maior quantidade; 42% afirmam que os horários de suas refeições mudaram; 73% disseram estar preparando as próprias refeições e 40,5% disseram que deixaram de se alimentar em restaurantes.

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As alunas coletaram respostas de pessoas de diferentes estados, com destaque para São Paulo (33,2% ), Paraná (19,7%) Rio Grande do Sul (11,2%), Bahia (7,2%) e Minas Gerais (4,7%). “Usamos as ferramentas disponíveis na internet, como as redes sociais e e-mail”, explicou a Karla Ferracini. Segundo ela, os formulários foram disponibilizados de forma aleatória na internet e os dados de faixa etária, sexo e região foram tabulados após a chegada das respostas.

As profissões dos entrevistados variaram entre autônomos, desempregados, donas de casa, empreendedores, estagiários, estudantes, funcionários públicos e funcionários de empresas. A maior faixa com média de renda entre R$ 1 mil e R$ 5 mil, sendo 43% solteiros(as), 34,3% casados/união estável, 14,1% em relacionamento sério, 7,7% separados/divorciados(as) e 0,9% viúvos(as).

O professor Adriano Toledo destacou que o estudo se iniciou durante as aulas remotas de Pesquisa e Análise de Mercado. “O tema surgiu a partir de uma reflexão onde as alunas notaram uma mudança significativa em sua alimentação desde o início do período de isolamento social. O resultado tem um nível de confiança de 95% e tem-se um erro de 3,6%, tanto para mais, quanto para menos”, explicou o professor.

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Ainda de acordo com Toledo, a partir dos resultados, foi possível notar que as pessoas que estavam em isolamento total notaram uma mudança negativa em seus hábitos alimentares, considerando os horários e a qualidade de suas refeições. Conforme aponta o professor, essas mudanças foram causadas, principalmente, pelas alterações na rotina, como a adoção do home office e do estudo à distância, os quais, por muitas vezes, vêm aliados à necessidade de auxiliar crianças em aulas on-line. “Assim, essas pessoas passaram a se alimentar em horários diferentes e acabaram tendo de recorrer a serviços de delivery de comida pela falta de tempo. Além disso, questões psicológicas como ansiedade e nervosismo também foram citadas pelos respondentes como pontos extremamente relevantes”, disse.

Foto: Pixabay.

A pesquisa aponta que os jovens foram os que mais sentiram os reflexos da pandemia em seus hábitos alimentares. A principal mudança relatada foi o aumento da quantidade de alimentos ingeridos. “O estudo demonstra como a alimentação das pessoas é afetada por situações externas. Assim, a importância de estudos dessa magnitude relata a dificuldade das pessoas em conviver numa crise, além de demonstrar que as pessoas estão mais nervosas e ansiosas neste período de pandemia e isolamento social”, finaliza o professor.

Pedro Ferrari Dini, 27 anos, estagiário na área de marketing, participou do estudo e contou que, antes do período de isolamento, mantinha uma rotina ocupada, saindo cedo de casa e voltando só no final do dia. Por isso, ele levava de casa as refeições preparadas por ele, cuidando para manter uma dieta saudável, que só saía da rotina nos fins de semana. “Quando o isolamento começou, consegui manter, por um breve tempo, essa mesma rotina alimentar, mas com o passar dos dias fui ficando mais relaxado”, conta.

Segundo Dini, ficar em casa faz parecer que sempre há uma desculpa para comer alguma coisa não tão saudável. “O tempo em isolamento foi passando e a alimentação só piorando. Chegando ao ponto que, praticamente todo dia era ‘final de semana’ pré-isolamento. Eu estava comendo muito mais e muito pior do que antes”, revela. Agora, Dini luta para melhorar a alimentação, se controlando mais e comendo mais coisas saudáveis. “Porém, ainda não chega perto de ser o que eu fazia pré isolamento”, reclama.

Também houve um relaxamento alimentar na casa da biomédica mestre em biotecnologia, Melina de Santi Pazzim, 27 anos, mas a família percebeu que algo não ia bem e resolveu melhorar a alimentação. Até novas receitas estão saindo. “Logo que começou a quarentena, a alimentação ficou mais relaxada, não tão saudável. Entretanto, quando percebemos, passamos a buscar a alimentação saudável de antes, até porque meus pais são hipertensos. Hoje não falta salada em nenhuma das refeições, os refrigerantes e sucos de caixinha foram abolidos e aproveitamos a quarentena para aprender novas receitas saudáveis e incorporá-las na alimentação do dia a dia”, orgulha-se.

“Refrigerantes e sucos de caixinha foram abolidos e aproveitamos a quarentena para aprender novas receitas”, disse a biomédica Melina, de 27 anos..

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Além dessa pesquisa alimentar realizada na FAE, o professor Adriano Toledo diz que outros estudos relacionados à pandemia estão sendo feitos, como uma sobre a falta do futebol na pandemia, preferências de marcas e percepções da pandemia e isolamento social. A busca por entrevistas segue sendo feita pela internet e redes sociais.