O investimento inicial foi de R$ 1.200 para comprar uma chapa, um botijão de gás e utensílios básicos para montar uma hamburgueria. Foi assim que o jovem empreendedor de Curitiba William Flores começou aos 17 anos, na pandemia, com uma cozinha de delivery nos fundos da casa dos pais. Seis anos depois, aos 23 anos, “Will” já tem um “império”.

continua após a publicidade

A Will Goup, com três marcas, mais de 50 unidades por todo o Brasil e faturamento mensal superior a R$ 1 milhão.

O empresário curitibano começou a empreender depois de participar de um curso gratuito de empreendedorismo do Vale do Pinhão, da Prefeitura de Curitiba, aos 17 anos. Ele era o aluno mais novo da turma. A experiência ajudou a despertar o interesse por gestão, branding e posicionamento de marca, antes mesmo de abrir o primeiro negócio.

Pouco depois, em 1º de maio de 2020, nasceu a Will The Burger. A operação funcionava literalmente no fundo da casa dos pais. “Eu vi que as pessoas iam ficar mais no delivery. Todo mundo estava em casa, então pensei: é o momento perfeito para abrir meu delivery no fundo de casa”, afirma Will.

continua após a publicidade

A estratégia deu resultado. A pequena operação chegou a faturar cerca de R$ 10 mil por mês. Em seguida, o empresário transferiu a hamburgueria para outro endereço, num ambiente maior e mais estruturado, onde alcançou faturamento de aproximadamente R$ 60 mil mensais.

Com o crescimento, vieram novas marcas e um modelo de negócio que permitiu multiplicar as operações sem precisar construir uma estrutura completa para cada empresa.

De uma hamburgueria a três marcas

continua após a publicidade

Hoje, o grupo reúne as marcas Will The Burger, Vai com Dog e Street in Braza. As operações trabalham no modelo de dark kitchen, ou seja, cozinhas que atendem diferentes marcas utilizando a mesma estrutura, equipe e equipamentos.

A estratégia reduz custos e permite aproveitar melhor os espaços. Uma mesma cozinha pode, por exemplo, produzir hambúrgueres e cachorros-quentes à noite e utilizar a estrutura durante o dia para preparar refeições da Street in Braza.

A marca foi criada justamente para explorar o mercado de almoço por delivery. Entre os diferenciais está a embalagem dividida em compartimentos, que mantém separados arroz, feijão, salada e proteína. Um “prato cheio” para quem reclama que “vem tudo misturado” na marmita, pois prefere saborear separadamente cada alimento. E a parmegiana é atualmente o prato mais vendido da rede.

A Street in Braza começou a expansão nacional em janeiro de 2026, com uma unidade parceira em Ribeirão Preto (SP). O modelo permite que hamburguerias, pizzarias e outros estabelecimentos utilizem suas cozinhas já estruturadas para produzir os pratos da marca durante períodos de menor utilização.

Hoje, são mais de 40 contratos assinados e cerca de 50 unidades entre operações em funcionamento e em fase de implantação. A empresa trabalha na migração para o sistema de franquias e tem como meta chegar a 100 unidades contratadas até outubro de 2026.

Jovem empreendedor de Curitiba: dos R$ 10 mil a R$ 1 milhão

A evolução dos números ajuda a dimensionar o crescimento do negócio. Quando ainda trabalhava nos fundos da casa dos pais, Will chegou ao máximo de R$ 10 mil de faturamento mensal. Em março de 2025, ele já havia chegado a R$ 300 mil mensais considerando suas operações de alimentação. Agora, o grupo ultrapassa R$ 1 milhão de faturamento por mês.

A mudança também aconteceu na forma de administrar o negócio. No começo, o jovem empreendedor de Curitiba estava diretamente envolvido na chapa, no atendimento e em praticamente todas as etapas da operação. Com o crescimento, portanto, precisou aprender a delegar funções e assumir uma posição mais estratégica.

“Eu era um cara que estava sempre ali no operacional, na chapa, na balcão, no atendimento. De repente, vi a necessidade de sair do operacional. Esse foi um dos meus maiores desenvolvimentos além do faturamento”, conta.

Atualmente, o grupo mantém uma estrutura compartilhada para as diferentes marcas. A estratégia permite concentrar investimentos em gestão, tecnologia, posicionamento digital e experiência do consumidor.

De influencer a consultor

A trajetória também ganhou outro componente: a internet. Depois de começar a publicar conteúdos sobre sua rotina como empreendedor, Will passou a viralizar nas redes sociais. De acordo com ele, chegou a conquistar cerca de mil novos seguidores por dia no Instagram em determinados períodos.

A exposição trouxe novos negócios. Além das operações de alimentação, o empresário passou a oferecer cursos, mentorias e eventos voltados a donos de restaurantes.

Hoje, aos 22 anos, Will administra um grupo que já ultrapassou a escala da primeira hamburgueria. E, apesar dos números, diz que existe uma realização pessoal que continua sendo difícil de superar.

“Minha maior meta como sonho de adolescente era ter a minha própria marca, estampada por aí. Acho que minha grande realização hoje é olhar na rua ou passar em frente e ver a minha marca lá. Isso para mim é sensacional.”

Apesar da vontade de crescer ainda mais, Will tem paciência. Afirma que busca expandir as marcas com planejamento, gestão e presença, para não perder o controle da qualidade e da operação.