Dez anos depois de uma série de atentados a bomba na capital cubana, os Estados Unidos ainda não começaram a investigar a relação entre os ataques e o anticastrista Luis Posada Carriles, detido nos EUA, denunciaram hoje vários jornais cubanos. Uma matéria de página inteira no Granma, jornal oficial do Partido Comunista, lembrou que no dia 4 de abril de 1997 explodiu uma bomba no Hotel Meliá Cohiba, o que iniciou uma série de ataques contra pontos turísticos que se estendeu até setembro daquele ano.

Vários danos materiais e a morte do empresário italiano Fabio Di Celmo, mais alguns feridos, foram os resultados dos atentados. Várias pessoas presas pela polícia, de origem centro-americana, confessaram ter sido recrutadas por Posada Carriles, um anticastrista ex-agente da CIA vinculado a outros atentados contra objetivos civis cubanos, para promover os ataques a bomba em 1997.

Em julho de 1998, em uma entrevista ao The New York Times, o próprio Posada Carriles reconheceu a autoria intelectual e posteriormente testemunhas confirmaram a informação. Segundo o Granma, apesar das denúncias cubanas à polícia federal dos Estados Unidos, o FBI, o organismo federal "não teve a elementar decência de interrogar" o acusado.

Nascido em Cuba e nacionalizado venezuelano, de onde fugiu da prisão enquanto aguardava indiciamento por planejar o atentado a bomba em 1976 contra um avião civil cubano que partira da Venezuela, matando os 73 ocupantes, Posada Carriles trabalhou na América Central na década de 1980, durante as guerras civis que assolaram a região.

Mais tarde, em 2000, foi preso no Panamá, depois de uma tentativa de matar o presidente de Cuba, Fidel Castro, mas foi anistiado em 2004 pela então presidente panamenha Mireya Moscoso um dia antes de deixar o mandato. Deste então, seu rastro foi perdido até 2005, quando entrou nos EUA para pedir asilo político.

A presença de Posada Carriles nos EUA foi questionada tanto por Cuba quanto por Venezuela, que criticaram o presidente dos EUA, George W. Bush, por proteger a um "terrorista", enquanto o seu governo leva adiante uma campanha global contra o terrorismo. Finalmente, Posada Carriles foi detido por ter entrado como imigrante ilegal nos EUA. Cuba e Venezuela pediram a sua extradição.

"Apesar de ter reconhecido que é o cérebro confesso de dezenas de conspirações terroristas e atentados sangrentos, o aparato judicial norte-americano não declarou formalmente Luis Posada Carriles como terrorista", disse o Granma.