Brasília – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o tráfico de armas ouviu nesta terça-feira (7) os depoimentos do empresário Alberto Dorneles Rodrigues e de seu funcionário, Amauri Carlos dos Santos. Eles estão detidos na Polícia Federal desde o dia 25 de agosto, sob a acusação de pertencerem a uma quadrilha que forneceria armas para traficantes do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Dorneles é proprietário da loja na cidade de Pedro Juan Caballero (fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul) onde a polícia paraguaia apreendeu 250 armas no final de agosto. Pistolas, fuzis, silenciadores, centenas de caixas de munição e até uma metralhadora antiaérea estavam encaixotados e armazenados na caçamba de uma caminhonete estacionada no interior da loja. Apesar de Dorneles garantir tê-lo comprado de um conhecido, o veículo não estava no nome dele e a CPI investiga a possibilidade de ser roubado.

De acordo com o relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-SP), as investigações revelaram que as armas seriam enviadas para o Rio de Janeiro e, em maior escala, para São Paulo, ?para a organização do PCC?. Ele garantiu que as armas eram ilegais: "Não tinham autorização do órgão de fiscalização paraguaio para serem comercializadas?.

O advogado dos depoentes, Josephino Ujacow, defendeu que a prisão deles fere o princípio da territorialidade, porque não teriam praticado crime no Brasil. ?As armas estavam todas legalizadas. O Dorneles é um comerciante estabelecido no Paraguai, vendia as armas de acordo com a lei daquele país, com alvará e pagando impostos. A acusação de que eles teriam vendido armas para pessoas que as introduziram ilegalmente no Brasil não é verdadeira", disse.

O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) deixou a sede da Polícia Federal convencido da ligação de Dorneles com a venda de armas ilegais para o Brasil. "Eu acho que ele está envolvido, assim como o dono da outra loja [Nadim Raymond El Hage, proprietário de outro estabelecimento onde também foram apreendidas armas), que alegou uma suposta doença para não vir prestar depoimento?.

Faria de Sá lamenta o pouco tempo que resta para a CPI concluir seus trabalhos: ?Agora que a comissão encontrou o fio-da-meada, nós estamos perto do período de encerramento da legislatura. A CPI só poderá prosseguir se os deputados que continuarão com mandatos quiserem dar continuidade".

Na avaliação do parlamentar, o fim do tráfico de armas e drogas depende do controle de pessoas que atravessam as fronteiras secas. ?Nós temos 1.700 quilômetros de fronteiras secas, uma legislação no Paraguai extremamente liberal para a aquisição de armas e munição e 200 mil brasileiros com certificado de imigração paraguaio ? que não encontram nenhuma restrição. Temos um problema que não é da Polícia Federal, mas do Estado brasileiro?, disse.