Ouvidos hoje pelo corregedor do Senado Romeu Tuma (PFL-SP), o corretor Gustavo Coutinho e o funcionário do Senado Enéas Alencar praticamente repetiram as informações fornecidas na noite anterior pelo caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, quanto aos motivos que o levaram a falar à Agência Estado sobre o que viu na mansão freqüentada pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e seus amigos de Ribeirão Preto. Coutinho disse que, como encarregado da locação da casa, conhecia Nildo há três anos.

Segundo ele, o caseiro lhe telefonou dizendo que estava assustado porque teve o nome citado na CPI dos Bingos pelo motoristas Francisco das Chagas Costa. E que queria falar a verdade sobre o que viu na casa, para provar que não tinha envolvimento com o grupo que ocupou a casa durante oito meses. "Eu disse que iria colocá-lo em contato com uma pessoa que poderia colocá-lo em contato com jornalistas e assim o fiz, lhe apresentando o Enéas", contou.

Enéas disse ter avisado o senador com quem trabalha, Teotônio Vilela (PSDB-AL), sobre o rapaz, mas que ele não teve contato com Nildo. O senador Romeu Tuma explicou que decidiu ouvi-los em atenção às suspeitas da líder do PT, Ideli Salvatti (SC), de que Nildo poderia ter sido instruído por parlamentares da oposição. Segundo ele, Ideli estava enganada – defendeu – "porque nada nos leva a crer que houve senadores manipulando a inteligência de Francenildo".