A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou, na sexta-feira (16), o segundo leilão de Prêmio de Escoamento de Produção (PEP) para subvenção do feijão. Por meio deste instrumento do governo federal, foram comercializadas 7,9 mil toneladas de um total de 30 mil toneladas oferecidas. Só no Paraná, o PEP possibilitou a comercialização de 3,5 mil toneladas. Em Santa Catarina foram comercializadas 2,4 mil toneladas e, no Mato Grosso, 2 mil toneladas.

O secretário da Agricultura, Valter Bianchini, que se empenhou junto à Conab para incluir a produção do Paraná neste leilão, ressaltou a importância da iniciativa do governo federal para garantir o escoamento do grão das regiões produtoras, e sua recolocação nas regiões consumidoras. ?Através do PEP, temos meios para equacionar os problemas relacionados a transporte e frete da produção?, comentou.

Além dos leilões de PEP, a Conab deverá realizar, ainda em fevereiro, aquisições por meio de Aquisição do Governo Federal (AGF). Para tanto, foi aprovada a liberação de R$ 91 milhões para a compra de 41 mil toneladas de feijão na região Sul. Apenas para o Paraná, estão previstos R$ 10 milhões. Outro instrumento do governo federal disponível é o Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF). Segundo Bianchini, o PGPAF é uma antiga reivindicação das entidades ligadas à agricultura familiar. ?Este instrumento é um tipo de seguro de preços?, explicou.

Preços

O preço médio recebido pela saca de 60 quilos de feijão carioca está em torno de R$ 39,91. Isso significa 35% abaixo do praticado em janeiro de 2006, quando chegou a R$ 61,53. Quanto ao feijão preto, a situação é mais grave. A saca é negociada a R$ 32,22, ou seja, 52,6% abaixo do preço médio recebido, no Paraná, em janeiro do ano passado e 31% abaixo do Preço Mínimo de Garantia, que é de R$ 47,00.

Ao analisar a situação, Bianchini destacou a importância do apoio do governo federal ao garantir o preço mínimo aos produtores por meio de instrumentos de comercialização. ?Estamos acompanhando os preços do feijão. Também, já realizamos vários contatos com as organizações do Paraná, como o Sindicato e Organizações de Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Fetrafsul (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar), Fetaep (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná) e Conab. Acreditamos que, com essas medidas, devemos minimizar os problemas de comercialização da safra?, disse.

Expectativas

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura, o Paraná deverá produzir cerca de 569,5 mil toneladas de feijão na safra 2006/07. Mas a produção esperada inicialmente era de 652,4 mil toneladas.

Segundo a agrônoma do Deral, Maroreth Demarchi, essa produção ocorreria, de fato, caso existissem as condições normais de clima. ?Assim, o Paraná teria uma das maiores safras de feijão das águas da história. Essa era a nossa previsão inicial. Porém, com o excesso de chuvas no final de dezembro e início de janeiro, foi registrada uma quebra de quase 13% na produção?, lembrou. Apesar das perdas, o Paraná poderá colher, já na primeira safra, cerca de 26% a mais do volume produzido na safra passada.

A área plantada com feijão na primeira safra 2006/07 é de 409,8 mil hectares. Segundo Demarchi, essa área representa um aumento de 13,6%, comparado à safra anterior, quando foram plantados 360,6 mil hectares. ?Cerca de 96% da área está colhida e 51% da safra já foram comercializados?, informou.

Quanto à segunda safra, o plantio já alcança quase 60% da área estimada de 167,1 mil hectares. Devido aos baixos preços recebidos, a área plantada deverá apresentar uma redução de 24% em relação à da safra anterior. A produção da segunda safra 2006/07 está estimada em 299 mil toneladas, ou seja, 9% inferior as 328 mil toneladas colhidas em 2006.

Rancking

O Paraná mantém-se na liderança nacional dos maiores produtores de feijão do Brasil. O Estado responde por 23% da produção total de feijão e por 65% da produção de feijão preto.

Na safra 2005/06, o Paraná produziu, considerando-se as três safras, 790 mil toneladas. Ou seja, 42% a mais que o total colhido em 2005, quando o Estado produziu 555 mil toneladas. Na safra passada, a área colhida foi de 586 mil hectares. A produtividade medida foi de 1.348 quilos por hectare: 64% da média nacional.

Em 2006 o País colheu 3,47 milhões de toneladas, um volume recorde. Quanto ao consumo nacional do produto, os brasileiros consumiram 3,1 milhões de toneladas anuais de feijão, nos últimos anos. (AEN)