O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, realizou hoje por volta das 13h50 a primeira operação de lançamento de foguete desde o acidente com o VLS-1, que deixou 21 técnicos e engenheiros mortos, em agosto de 2003. Trata-se do protótipo do foguete de sondagem VSB-30, que foi desenvolvido pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP), em parceria com a Agência Espacial Alemã (DLR-Moraba).

O vôo pôde ser acompanhado pelos moradores. Das praias, via-se um rastro de fumaça branca, provocado pela queima do combustível sólido do protótipo.

A Missão Cujuana, como foi batizada, foi considerada um sucesso. O foguete conseguiu atingir o apogeu em 10,5 minutos e ficou outros 4 minutos em ambiente de microgravidade.

O lançamento serviu para qualificar o modelo que está sendo oferecido à Agência Espacial Européia (ESA) para substituir o foguete inglês Skylark 7 como veículo de sondagem de seu programa de experiências em microgravidade. De acordo com o CTA, a carga útil foi calibrada para ter o mesmo peso e o mesmo centro de gravidade da plataforma Texus, usada pela ESA.

Dois Estágios

O sucesso da missão permitirá que a negociações com a ESA prossigam. A idéia inicial seria fornecer um lote inicial de 15 foguetes. Os dois primeiros vôos operacionais deverão ocorrer em novembro de 2005 e maio de 2006, ambos levando experimentos europeus.

O VSB-30 é praticamente todo fabricado pela indústria privada brasileira. O CTA faz apenas a integração de sistemas e a fabricação do combustível sólido, em São José. O foguete é um veículo de sondagem de dois estágios (tem dois motores: um propulsor S-30 e um booster S-31). Pode atingir um apogeu de 250 quilômetros, tem capacidade para 400 quilos e pode proporcionar um vôo em ambiente de microgravidade por até seis minutos.